O que andam fazendo com Deus?

Olha, se eu estivesse no lugar do “Cara”, já estaria de saco-cheio de muita gente.

É com essa sinceridade que começo meu relato sobre as atrocidades que tenho visto sendo feitas em nome dEle.

Diversidade e respeito sempre! Se é do bem, que mal tem?Eu cresci com gente tentando me explicar o que é Deus. E atente-se: o que é Deus. Não um deus. Porque isso já faz diferença, o deus que me apresentaram não era uma opção. Era Ele e pronto. Com letra maiúscula e não pode ser escrito no plural. Afinal, no cristianismo há uma verdade absoluta que não pode sequer ser questionada.

O problema é que de um lado me ofereceram essa caixa sem possibilidade de alterações, e por outro, me fizeram estudar em um colégio que me apresentou um leque de opções. Resultado, uma adolescente frustrada, cheia de preconceitos, medos e dúvidas. E foi este último item que me salvou, as dúvidas.

Pontos de interrogação na cachola e uma dose elevada de curiosidade me fizeram pesquisar, experimentar, e a partir dos 15 anos foi difícil me dar qualquer resposta. Se viesse com algo “Não tem resposta, você acredita, simplesmente acredita, segue e pronto”, estava feito o estrago. Aí sim é que eu ía mais a fundo. Como assim não tem resposta? Como assim tanta coisa é proibida? Como assim eu não posso participar de outras manifestações espirituais, sociais, culturais?

E hoje, aos 26 anos, depois de muito “apanhar” para me livrar dessa bagagem pesada posso dizer que ganhei um dos maiores bens do ser humano: a liberdade. Eu experimento, me envolvo, pesquiso com a mente aberta e tiro minhas próprias conclusões. E me sinto tão livre que me permito mudar essas mesmas conclusões diariamente. Parei de seguir o roteiro pregado há séculos por gente que nem conheci, por gente que nem me conheceu e estou descobrindo o que é deus pra mim.

Hoje, o que fazem com deus é inseri-lo em contextos de interesses políticos e econômicos, mas a espiritualidade tem cada vez ficado mais de lado. As vezes me pergunto que deus é esse que inventaram que tem tempo e saco pra ficar se preocupando se você ouve músicas “do mundo”, se você é hetero ou gay, se você não é mais virgem, se você não deu o dízimo, etc. Com gente morrendo de fome e frio, sem acesso a saneamento básico, educação, sofrendo violência sexual/doméstica, e por aí vai, acho que ele tem muito mais o que fazer assim como as pessoas que se preocupam com essas moralidades.

Eu tenho medo do andam fazendo com culturas lindas como a do cristianismo...

Eu tenho receio do que o poder em mãos erradas pode fazer.

Entendi, depois de muito pesquisar e me autoconhecer, que sou agnóstica. Creio que há algo que nos move, uma energia única mais ligada a natureza do que a templos, ao silêncio do que à pregações histéricas, mais interessada em quem somos do que no que temos, mais livre do que preso à regras inventadas pelos homens, mas não cabe a mim defini-lo. Aliás, daí já vem uma definição, falamos deus sempre voltado ao gênero masculino, e se for ela? E se não tiver sexo! E se…

Bom, quando estou me enchendo de qualquer tipo de razão e certeza absoluta já me vem esse vídeo na cabeça. O filósofo brasileiro, Mario Sergio Cortella, foi muito feliz ao nos mostrar o quanto o Universo é desconhecido e o quanto subestimamos e menosprezamos o dom supremo do amor, enfim, Deus. Vale a pena investir 9 minutos para assistir:

A única coisa que sei é que esse deus criado e pregado há gerações, castigador, amedrontador, etc, só serve para uma coisa: manipular as massas que não se dão ao trabalho ou não tiveram recursos para raciocinar, pesquisar, e o mais importante, que ainda não aprenderam a olhar para o seu interior, respeita-lo e ouvi-lo. Essa guerra religiosa que acontece há séculos é uma das maiores perdas de tempo que já vi, e se você anda perdendo tempo com isso, repense!

Sâmela SilvaSâmela Silva, é Jornalista por formação, profissional das áreas de Gestão Empresarial e Governança de TI e Palestrante pelo projeto sócioeducativo, Marula Brasil. Curiosa que é, teve a oportunidade de morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto.

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