5 documentários que me tornaram uma pessoa mais bacana

icebergEu não tinha o hábito de assistir documentários (não me pergunte o porquê) mas de uns anos para cá a TV aberta anda tão podre que os canais pagos foram a opção. Ainda bem. Passei a ter contato com diversas coisas bacanas, canais como Discovery (todos), National Geographic, History, etc, se tornaram meus grandes companheiros nos fins de semana e pela 1ª vez, vi uma utilidade real para as horas que eu dedicava à telinha. Depois, a internet se tornou uma grande aliada e qualquer assunto que eu quero pesquisar o Google dá aquela forcinha!

Dentre tantas coisas que assisti nos últimos meses, 5 realmente me fizeram refletir mais e parar de querer opinar olhando somente a parte externa do iceberg. Eu tenho o pensamento de que nada deve ser tomado 100% como verdade, a dúvida é que nos faz caminhar e evoluir, mas esses documentários me abriram janelas, me apresentaram alternativas, me mostraram flexibilidade e não imposições, revelaram dados, etc. Me fizeram ficar pensativa por dias depois de tê-los assistido, me fizeram uma pessoa melhor apenas por ter me permitido olhar por outro ângulo e se eu fosse você também assistiria!

1) The Coconut Revolution (A revolução do coco)

O que é? Esse documentário relata o conflito entre o Governo de Papua Nova Guiné e o movimento pela independência da ilha de Bougainville (a maior das Ilhas Salomão). (saiba mais clicando aqui)

O que aprendi? Que é possível viver de uma forma diferente. O documentário mostra a luta dos moradores locais pelo seu espaço, pelas suas crenças, sua língua e etc. Mais do que isso, mostra como seres humanos unidos podem fazer de uma ilha isolada uma sociedade completa, complexa e livre.

Por que vale a pena? Porque em meio a tanta tecnologia esse grupo nos mostra como viver a partir da unidade e inteligência. É motivador e inacreditável, muitos de nós não teríamos feito metade do que eles fizeram com tão pouco.

2) Porque a bíblia me disse assim

O que é? Relatos reais de pais de religião cristã que se depararam com um grande conflito: filhos gays.

O que aprendi? Que o amor é incondicional. Muitos pais tiveram que se abrir para o novo para não agir com crueldade e indiferença, procuraram auxílio psicológico, se informaram, buscaram fontes, tudo para não romper um dos maiores ensinamentos bíblicos, o amor. Aqueles que não se libertaram perderam tempo, perderam filhos e está em seus olhos o arrependimento até hoje. Aprendi que espiritualidade é bem diferente de religiosidade e eu fico com a 1ª.

Por que vale a pena? Porque este é um assunto antigo mas que ainda estamos tentando entender. E como é difícil para a nossa sociedade, hein? Ao invés de ficar imaginando ou com argumentos sem experiência alguma, o documentário nos dá a possibilidade de sentir na pele o que essas famílias passaram. Nos faz refletir e quem sabe até nos melhorar como pais e mães, ou futuros pais e mães, como no meu caso.

3) A incrível jornada humana

O que é? Uma antropóloga tenta refazer a jornada do ser humano pelo planeta Terra por meio de vestígios arqueológicos. Desde o seu surgimento até os tempos atuais.

O que aprendi? Que a ciência não é por acaso e que muita coisa faz sentido quando raciocinamos sem influências. Há diversas teorias científicas, e como eu disse, “teorias”, entretanto é muito mais simples entendermos nossas raízes quando deixamos que o próprio planeta nos conte por meio de suas rochas, marcas, relevos, climas, objetos e pinturas antigas, etc.

Por que vale a pena? Porque para mim, que cresci com um excesso de informação religiosa, foi ótimo ver por outro prisma. Entendi melhor minhas próprias origens, consegui boas respostas para alguns “por que’s” que nunca me respondiam. É interessante entendermos nosso passado para assimilar o presente e quem sabe imaginar o futuro de forma factível.

4) Quebrando o Tabu

O que é? Um documentário atual onde grandes personalidades como Bill Clinton, Fernando Henrique Cardoso, Gael Garcia Bernal, Dráuzio Varella, Paulo Coelho, entre outros, discutem um tema muito polêmico: drogas. (saiba mais clicando aqui)

O que aprendi? Que há gerações estamos tratando das drogas de forma errada e que há muito interesse por trás disso. Um mundo sem drogas? Utópico. Elas sempre existiram. Estão inclusive na natureza, mas há como conviver em paz. Aprendi que mais uma vez a falta de informação e o preconceito são problemas que estão em nossas entranhas e pra conseguir evoluir vai doer muito, mas é preciso. Entendi a diferença entre descriminalizar e legalizar. E reforcei conceitos que eu já tinha visto em outras leituras e em outros documentários, sobre a real potência de cada droga, tratamentos alternativos, o drogado visto como doente e não como criminoso, etc.

Por que vale a pena? Porque a televisão mostra o que quer sobre isso, e infelizmente o conservadorismo e a religião mais uma vez tem cegado a humanidade. Porque é preciso conhecer mais sobre o assunto para poder discuitir sobre ele, porque podemos ter pessoas ao nosso redor precisando de nós e se formos com a nossa bagagem envenenada em nada ajudaremos.

5) Zeitgeist, O filme

O que é? Eu não sei se posso classificá-lo como documentário, mas é interessantíssimo. Um pouco ousado e você vai sentir vontade de parar de assistir nos 10 primeiros minutos, mas persista, vale a pena. Mostra assuntos polêmicos como o ataque as torres gêmeas nos E.U.A., cristianismo, o sistema bancário mundial, etc, de uma forma que te faz refletir sobre a veracidade dos mesmos. (saiba mais clicando aqui)

O que aprendi? Aprendi a questionar, a duvidar. E pra mim, fazer perguntas e buscar respostas sempre foram os caminhos que levaram a humanidade a evoluir, então… foi ótimo nesse aspecto. É bom ter gente questionando as verdades absolutas, é bom por o cérebro pra funcionar. Você passa a ser mais pé no chão, a respeitar opiniões diferentes e a aceitar que podem existir outras possibilidades e isso é libertador.

Por que vale a pena? Porque apesar de ter itens questionáveis e pobres de fontes realmente confiáveis, nos faz refletir, nos incomoda, gera curiosidade e possibilidades infinitas. É bacana ter contato com esse tipo de coisa!

O legal é assistir sem preconceitos, e claro, não absorver nada como verdade absoluta. Tudo serve para reflexão, estimular a busca pelo conhecimento, dar mais base aos argumentos e claro, aumentar nossos horizontes! Ah, e vale fazer pipoca pra assistir! 😉

Já assistiu algum ou quer compartilhar outro documentário que não esteja aqui? Deixe sua opinião e sugestão aqui nos comentários!

Sâmela Silva, é Jornalista, Consultora em Gestão Empresarial e Palestrante pelo projeto Marula Brasil. Curiosa que é, teve a oportunidade de morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto.

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Dia das Crianças: o presente é deixar seu filho ser ele mesmo

Amanhã é mais um 12 de Outubro! Uma data colorida onde boa parte das broncas e regras são deixadas de lado por 24 horas e o dia é todinho dos pequenos. Mas… e os outros 364 dias do ano?

Eu não sou mãe, então ainda não poderei caraminholar como tal, mas sou filha e vim aqui fazer um humilde pedido de presente: embrulhem a liberdade e dêem de presente aos seus filhos! Hoje com 25 anos, era o único presente que eu gostaria de ter ganhado. A oportunidade de crescer em paz. Tenho muita pena de ver crianças crescendo sendo bombardeadas com opiniões, crenças e sonhos que nem são delas. Mas as coitadinhas são tão pequeninas que só sabem absorver e não se defender. Aí crescem e se tornam o que a humanidade é hoje. Um aglomerado de gente com vícios, preconceitos, baixa-estima, com problemas psicológicos dos mais variados e sem identidade, sem saber quem são e para o quê vieram.

Eu cresci dentro da igreja, uma religião foi imposta à mim. Eu não tive escolha. Tive escolha aos 18, quando vi que aquele monte de ideias fantasiosas e primitivas já não serviam mais pra mim, e aí virei a “rebelde”. Bom, mas voltando, cresci ouvindo uma enxurrada de regras e sem entender boa parte delas. Fui impedida de experimentar coisas simples como festas de Haloween ou a delícia das Festas Juninas e Julinas porque a religião não permitia. Eu não ía para a escola nesses dias, e se eu voltasse com docinhos de Cosme e Damião pra casa, ah… ía tudo pro lixo. Isso na cabeça de uma criança, que tem referências e proporções muito diferentes dos adultos, é muito cruel. Respeito as diferenças, mas defendo a escolha. Quando a criança, o adolescente, enfim, o ser humano, optar por seguir determinada crença após lhe ter sido apresentada a riqueza das diferenças, aí estará a liberdade e o amor. Se a criança crescer e depois de conhecer e se tornar consciente, optar por ser padre, hippie, arquiteto ou uma panicat, ok!

A criança vai “enchendo a mochila” de porcaria, nem faz as perguntas e os pais já lhes dão as respostas. Rosa é de menina, azul é de menino, saia é de menina, calça é de menino, e mais uma c*r*lh*d* de ideias imbecis que um dia algum ser inventou e com certeza foi pra lucrar de alguma forma. Eu queria ter crescido livre. De uns 4 anos pra cá, me deparei com a “minha mochila” cheia de cacarecos e sabe o que é pior? Pra se livrar dessa tralha toda dói, dói muito. Porque a gente passa a acreditar que a lixarada são verdades, que não é possível ser feliz sem todas aquelas coisas. Quando você enxerga que você pode ser do jeito que quiser e acreditar ser o melhor para a sua evolução, é incrível, mas as crenças já se tornaram tão profundas que só com muita força de vontade e persistência você consegue se libertar.

Não culpo os pais, e os meus pais, por isso. Todos eles também foram criados assim, são gerações e gerações repetindo as mesmas bobagens. Mas alguém tem que romper isso, e espero ter a sabedoria de interferir somente quando muito necessário na minha vez. Meus pais me amaram da maneira que julgaram ser a certa e acredito que muitos pais hoje fazem o que fazem por acreditar nisso. O problema é que a maioria ama como os ensinaram a amar, e amor é algo que não se ensina, só se sente. Amor é algo natural, igual a fome e a sede. “Se você ama tem que impor limites, tem que disciplinar, tem que proibir, tem que, tem que, tem que”. Tudo que começa com “tem que” eu já desconfio. Muitas coisas são até bacanas, mas é necessário ponderar. Quantos acharam que proibindo teriam filhos “exemplares”, e depois viram os mesmos filhos tão podados, que estudaram nos melhores colégios e que viviam enfiados na igreja, entregues às drogas, meninas grávidas e etc? Estes pais e filhos devem ter se lembrado de tudo e esquecido do mais importante: amar.

Um livro que me ajudou a enxergar o quanto eu estava cheia de preconceitos e ideias errôneas foi “A essência do amor” de Osho, um sábio indiano que deixou um legado como tantos outros sábios, Gandhi, Jesus, Buda, Chico Xavier, Madre Tereza, e milhares de outros que nascem e morrem e nem temos conhecimento. Nesse Dia das Crianças meu presente seria para os pais, queria que cada ser nesse mundo tivesse a oportunidade de ler este livro, além de outros de diversas origens.  Assim, com um monte de opções e ideias diferentes, acredito que as escolhas seriam mais sensatas.

Eu cresci e na boa, nada “adiantou”. Levo minha vida do jeito que quero e acredito ser o melhor para mim e para o mundo. Tenho amigos gays, heteros e bissexuais, altos, baixos, gordos, magros, negros, brancos, católicos, evangélicos, espíritas, macumbeiros, hindus, muçulmanos, que fumam, que tem tatuagem, que não tem, que tomam banho, que não tomam… a lista é grande! 🙂 Hoje, sou livre. Hoje posso ser eu mesma, mas é terrível esperar 18, 21, 24 anos para sentir essa sensação.

Eu! 9 anos de idade com cara de “tire essa foto logo e devolva minha roupa normal” rsrs… e hoje aos 25, amando o Festival de Artes Bush Fire na Suazilândia, país africano.

No vídeo abaixo, uma criança se depara pela primeira vez com um casal gay e a reação dela? Ela não tem frescura, não tem preconceito, resumindo, ela os convida para participar de sua vida! A pobreza do mundo acontece quando perdemos nossa inocência, quando deixamos de ser criança.

E para quem acha difícil se reinventar, mudar de opinião, fica preocupado com o que a sociedade e a família vão dizer, recomendo o documentário abaixo. Trata-se de um relato verídico de pais religiosos que tiveram que enfrentar seus preconceitos para não deixarem de lado o bem supremo, o amor. Nele há um depoimento incrível de uma mãe que não conseguiu se libertar de suas teorias e perdeu sua filha para o suicídio. Ela diz que jamais se perdoará por não ter acordado a tempo. Assistam, vocês não vão se arrepender. Através do vídeo abaixo vocês encontrarão todos os capítulos legendados e poderão assistir o documentário na íntegra.

Singela opinião de quem sentiu na pele a pressão de uma sociedade hipócrita e egoísta.

Feliz Dia das Crianças à todos os pais e mães!

*Leia e assista minhas recomendações como uma criança, sem preconceitos 🙂

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais.  LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”