Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito! 1- Vá aproveitar a vida!

Começo aqui uma sequência de 10 posts sobre coisas que aprendi com os “pés-na-bunda” que dei e tomei. E nesse em especial, gostaria que pais e religiosos se desarmassem ao ler e se lembrassem da época em que tinham 15 anos. 😉

São 11 anos de carreira oficialmente, meu 1º namorado conheceu meus pais quando eu tinha 14 anos. Era aquele namorinho de adolescência, ele era lindo, disputado, e sei lá porquê cismou comigo. O problema é que com 14 anos eu não sabia o que era namorar, aliás, sabia a versão que diziam pra mim que tinha que ser. Resultado, depois de um “Eu te amo” com flores vermelhas, me assustei e fugi. Nunca mais vi o garoto.

Fui criada em igreja evangélica, e há 10, 15 anos atrás meus amigos, não tinha isso de “Bola de Neve“, não. Ser adolescente, pra mim, era um saco. Nada podia, tudo era errado, lembro até que eu participava de um grupo de dança na igreja e “fui afastada” pois comecei a namorar o dito-cujo acima. Chorei rios, eles não tinham a menor noção de como ensinar, dialogar e entender que é natural os hormônios aflorarem nessa época. Se bem que há teorias que dizem que começamos a ter contato efetivamente com nossa sexualidade a partir dos 7 anos, mas isso é tema para outro post. Enfim, de igreja em igreja, conheci meu 2º namorado, e esse relacionamento durou quase 4 anos, logo, passei minha adolescência toda namorando o mesmo anjinho, e é aí que vem meu recado: Aproveitem a vida!

Eu perdi muito tempo namorando em uma fase em que era pra eu estar fazendo coisas tão mais úteis… Ao invés de estudar ou estar em um parque com os amigos, eu estava no sofá da sala da sogra. Sogra??? Gente, por mais maravilhosas que tenham sido todas as minhas sogras, pra mim soa tão bizarro ter sogra aos 15 anos! Mas era assim, e na igreja a situação piorava porque o medo da galera “se perder” era tanto, que logo perguntavam sobre o casamento! Olha, não sei como sobrevivi. Eu estou citando a igreja porque foi a minha realidade, mas outras instituições cheias de regras mal elaboradas ou mesmo uma simples mas abitolada família, podem fazer esse papel devastador.

Há mais coisas para fazer na adolescência além de sustentar namoros chatos e sérios demais, só namore se for pra ser legal! 🙂

Eu devia ter pensado em intercâmbios, lido mais, saído com amigos diferentes, de culturas diferentes, ter pesquisado mais sobre carreira, “aloprado” mais com meus amigos, dormido mais, sei lá. Mas eu estava sempre discutindo a relação, atrás de dinheiro pra sair com o namoradinho, planejando um monte de coisas como casamento e filhos. Nessa idade ainda não trabalhamos, nem dinheiro pra ir ao cinema sem depender dos pais temos e já queremos falar de casamento? Pena que só percebi isso agora.

Em resumo, eu teria namorado de uma forma mais leve, afinal também há o lado bom. 😉 O namoro é pra ser bacana, pra se descobrir, rir, compartilhar. Jamais deixe que um namorado ou namorada lhe diga “não’s”, lhe proíba de fazer as coisas, defina com quem você vai conversar ou andar, lhe tire sonhos, te julgue quando você mudar de ideia, ainda mais na adolescência que é a época de fazer isso. Se eu pudesse, teria perdido menos tempo nos sofás.

Eu fui abitolada, eu fui uma namorada chata e tive namorados chatos. Mas agora, depois de tantas solas de sapato no meu traseiro e de algumas que deixei em traseiros por aí, acho que cheguei no melhor de mim. Estou na fase em que não sei de nada, que esqueci tudo o que disseram que era o certo, onde a única regra será eu poder ser eu mesma sempre e estar com alguém que goste disso. Agora é hora de namorar do jeito que me faz feliz!

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais.  LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

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9 pensamentos sobre “Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito! 1- Vá aproveitar a vida!

  1. Sâ, vc não é a única a se sentir prisioneira de uma situação muito em razão de religião, eu namorei 7 anos com rapaz, casei aos 20 anos, meu casamento não durou 2 anos, eu demorei mt a tomar uma decisão de me separar por causa da religião, era católica e todos me diziam que eu tinha que tentar ” consertar” meu casamento. Ele sempre foi infiel e na época de namoro eu não percebia isso…Quando casamos não foi diferente, contudo ele acabou confessando a traíção, aí acabou né…Só que fiquei tentando, tentando, tudo em nome do que até a morte nos separe…Também joguei na lata do lixo minha adolescência, que ao invés de ser vivenciada plenamente, fiquei no cabresto de um namorado ciumento porque tinha sua culpa no cartório e me boicotava em tudo, quase não tive amigos, não fazia programas de adolescente, enfim não aproveitei como deveria…Depois de muito tempo consegui minha carta de auforia, após mudar de religião e seguir um caminho que ensinou-me que os grilhões somos nós que criamos e nos deixamos aprisionar, e graças a esses ensinamentos hoje tenho opiniões diferentes a respeito de relacionamentos e com a própria vida…Penso que pior que uma religião que aprisiona, que é preconceituosa é viver numa família que também te aprisiona, que só te critica…não tem nada mais pernicioso para alma do que idéias que nos restringem, que nos tolhem…Ainda bem que um dia a gente acorda para outros rumos e conquista uma liberdade de ser e pensar sem se importar com que os outros vão achar…bjs, adorei seu depoimento! Elisa

    • Obrigada por ter compartilhado sua experiência aqui, Elisa! Fico feliz que apesar do tempo “perdido” hoje você tenha se encontrado e melhor, terá a oportunidade de fazer diferente com as suas filhotas! 🙂 Bjão!

  2. Adorei o novo tema 🙂
    Bom, eu comecei a namorar serio mto cedo, com 15 anos ja conhecia td a familia do meu atual marido hehehe e ele a minha… e eu entendo oq vc quis passar aqui, apesar de ter tido uma experiencia contrária huahuahuahuahua ouvi sim, mtas coisas como ‘quando vc vai casar?’ mas na maioria das vezes as pessoas, inclusive meus pais, me perguntavam se era isso mesmo q eu queria, que nao concordavam pq eu era nova e deveria aproveitar a vida, estudar…. q o Paulinho (o namorado e marido em questao) poderia se arrepender pq era mto novo pra namorar serio…. etc etc etc…..
    Mas, essa foi minha experiência, a maioria passa mesmo por uma pressão para seguir um relacionamento serio e cheio de planos pro futuro…. isso td eh baseado no medo… o medo q os pais têm dos filhos se decepcionarem, se arrependerem ou o medo dos filhos se perderem e principalmente terem filhos precocemente….
    Hoje, eu entendo (discordo, mas entendo) o pq q o meu pai estipulou dias e horarios na semana pra nos vermos, se fez de durão… eu entendo, mas pretendo fazer diferente 😉
    Acho q a compreensão e acima de td o diálogo de forma verdadira, querendo mesmo entender e descobrir oq se passa, seria mto melhor

    • Vocês são um casal que amo muito e estou feliz por terem sido uma exceção bacana no meio dessa bagunça toda que fazem com nossa vida sentimental! Mas… e quando vem meus afilhados, sobrinhos, sei lá? Kkkkkkkk (Olha outra cobrança) Brincadeira! Bjo, Linda!

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