Trabalhar no exterior é fácil? 3 pontos que podem fazer a diferença neste processo.

Mudar de lado me fez perceber o quanto é desafiador trabalhar fora da sua pátria. Por ter trabalhado em grandes empresas no Brasil, já tive a oportunidade de conhecer profissionais estrangeiros mas nunca parei para pensar em quais eram os desafios e vantagens de estar nesta posição. Também não pensei “Olha os gringos roubando o emprego dos nativos”. Aprendi que seja gringo ou não, se está em um cargo melhor do que o meu é porque em algum momento este profissional teve algo a mais ou a menos que eu, mesmo que ele tenha somente sabido se “vender” melhor em uma entrevista, e cabe a mim aprender cada vez mais para alcançar o nível desejado. Esse intriga, estrangeiros x nativos, se é que posso definir assim, ao meu ver é prejudicial e só faz ambas as partes perderem a oportunidade de uma troca cultural e profissional incrível!

Além disso, nem todas as empresas entendem a responsabilidade que é trazer um estrangeiro. Enquanto algumas são uma mãe, outras… A matemática é simples, se você precisou de algo diferente, vai ter que investir de forma diferente.

1) O choque cultural

A mudança cultural e social pode afetar este profissional momentâneamente, que precisará do apoio da empresa para se adaptar de forma rápida e consistente. Pensando na pirâmide de Maslow, é necessário garantir as necessidades primárias para que a mente deste colaborador esteja livre para se dedicar 100% ao trabalho. Segurança, moradia, saúde, alimentação, transporte, tudo tem que estar garantido no pacote, caso contrário, você afetará pontos demasiadamente delicados e que impactam diretamente na qualidade e produtividade do indivíduo.

Pirâmide de Maslow

2) Uma andorinha só, não faz verão

De nada adianta trazer experts se você não oferecer a infraestrutura adequada e se a equipe que trabalhará ou dará suporte a ele, não estiver treinada e preparada para este novo conhecimento. Não faz sentido colocar a cereja no bolo se a massa não estiver pronta. Você não vai ter o retorno esperado e vai ganhar um profissional exausto e desmotivado por tentar, tentar, e não conseguir. Ainda há gestores com dificuldade de perceber que investir em pessoas, é investir na própria empresa e isso só atrasa o processo crescimento e amadurecimento da mesma. Investir nos profissionais nativos é tão, ou até mais, importante quanto trazer “cabeças diferentes”.

3) O combinado não sai caro

O contrato de trabalho será o elo que protegerá a relação trabalhista, mas qualquer acordo feito deve ser cumprido da mesma forma. Em outras palavras, é prometer somente o que se pode cumprir. O profissional precisa confiar sua vida à instituição, e isso requer muito comprometimento, respeito e empatia de ambas as partes. *empatia: capacidade de se colocar no lugar do outro.

Há muitos outros pontos, mas que compartilharei aos poucos com vocês, inclusive o que o estrangeiro pode fazer para ser “um hóspede” desejado, afinal todos tem seus direitos e deveres.

Para finalizar, nunca imaginei o quanto os itens imensuráveis podem afetar o dia-a-dia deste profissional. Lembro-me de ter trabalhado no Brasil com um sul-africano e vê-lo em estado de euforia na Copa do Mundo de 2010, ao ver seu país sediar a copa e ele não poder estar lá. Há vantagens em trabalhar fora, mas o expatriado perde coisas que não tem preço e que muitos nunca entenderão, por isso, valorizar o que ele valoriza criará um clima de gratidão que só somará ao cenário. Com o suporte necessário, ele sempre sentirá que seu esforço vale a pena e isso refletirá diretamente em seus entregáveis. Com uma boa relação, profissionais e empresa conseguem evoluir e a equipe como um todo terá muito conhecimento para partilhar e sugar.

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

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Um pensamento sobre “Trabalhar no exterior é fácil? 3 pontos que podem fazer a diferença neste processo.

  1. Ola Sâmela.

    Meu nome é Rodrigo Maus, estou a caminho de moçambique para participar da 2a Tektonica, feira de construção em Maputo, que irá se realizar nos dias 25/02 a 04/03, esse evento provavelmente será a porta de entrada para um projeto que estou a desenvolver com um empresa aqui no Brasil. Estive pesquisando sobre o Pais, uma vez que nunca tive na africa e confesso que estou meio ansioso e assustado com que posso lá encontrar. Numa dessas pesquisa encontrei seu blog, e me parece que resides ai em Maputo, e tem alguma experiencia sobre o mercado local. Assim gostaria de fazer um contato caso ainda esteja na Africa. Sem mais.

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