Nem toda revolução fica apenas na internet, as redes sociais podem e estão nos ajudando a mudar o mundo

Sim, a acesssibilidade,  a mobilidade e a interação através das redes sociais mudaram a forma que vivemos e nos comunicamos. Mas mais do que isso, toda essa conectividade deu voz a quem nunca pôde ser ouvido. Mesmo quem não tem acesso a web é atingido, já que a televisão também tem se aproveitado deste “boom”, imagino que até como forma de sobrevivência. É, estamos em tempos onde quem ou o quê não se adaptar, vai ser engolido por esse novo jeito de comunicação.

Um dos itens que mais provam isto, é o quanto algumas nações tem sofrido alterações viscerais por terem conseguido se organizar por meio de dispositivos tecnológicos. Moçambique até teve um episódio em 2010, onde a população organizou uma manifestação através de envio de SMS’s por celular, para protestar sobre o aumento de itens básicos como o pão (clique aqui para ler a notícia na íntegra). Resultado disso, agora, anualmente, temos que atualizar nossos cadastros nas operadoras de telefonia, e quem não o faz, perde a linha telefônica. Coincidência? Acredito que não. Isso simplesmente inibe novos movimentos. A China, é um dos exemplos mais clássicos, o governo chinês é que escolhe o que o povo pode ver, ouvir e falar. Mas creio eu, que isso não durará muitos anos, temos exemplos bem vivos e atuais de que ninguém mais quer sobreviver, queremos viver, e viver bem.

O documentário abaixo sintetiza e clarifica tudo o que escrevi acima, “Como o Facebook mudou a Primavera Árabe” mostra o poder que a população obteve quando simplesmente conseguiu se comunicar e divulgar seus desejos de forma organizada. Eu mudaria o título, pois não creio que o mérito seja do Facebook em si, outros meios como Twitter e Youtube tiveram um grande valor. Infelizmente não encontrei a versão dublada ou legendada em Português, mas para quem não conseguir assistir a versão abaixo em Inglês, clique aqui e assista a versão em Espanhol que é mais próxima da nossa língua.

Vale a pena dedicar uns minutos para assistir essa revolução que não estamos lendo em livros, estamos vivendo.

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

Será que a mania de compartilhar sem checar as fontes está nos deixando mais ignorantes?

“Estamos ficando mais burros”. Você já deve ter ouvido essa frase em análises de comunicadores influentes ou bate-papos sobre o comportamento da sociedade frente à tantas mudanças tecnológicas e maior acesso à informação, e num primeiro momento isso pode assustar. Mas você pode estar pensando: “Como assim estamos ficando mais burros? Temos evoluído constantemente. É impossível que estejamos aprendendo menos!”. Será?

Bom, fato é que realmente o ser humano tem chegado em lugares jamais pensados mas, ao mesmo tempo, acompanhar todas estas mudanças tem feito uma massa se perder em meio a tanto conteúdo. As redes sociais então… É tanta gente postando tanta coisa que fica difícil não se manter informado. O problema é que estamos deixando de lado um item importante: a qualidade desta informação.

A ação “compartilhar” está ficando tão automática que não nos damos mais ao trabalho de pesquisar se assuntos extremamente delicados e influentes são reais. Nos últimos meses fui bombardeada com 3 exemplos:

1) “Casal de São Paulo batiza o filho como “Facebookson” e causa polêmica no mundo” (link)

Não, nenhum casal batizou o filho com este nome. Esta foi uma notícia CRIADA por um site de humor brasileiro chamado “Sensacionalista“. O que aconteceu? Milhares de pessoas compartilharam (e continuam compartilhando) este link, uns fazendo piada, já outros, dizendo barbaridades sobre consciência moral e social sem ao menos procurar saber a origem da notícia.

2) Cristãos queimados vivos por muçulmanos sunitas da Nigéria (imagem forte)

Também, não. Que pessoas sofreram e sofrem devido suas crenças e opções nós sabemos, e infelizmente isso não é novidade. Vide o que a igreja católica fez na história e o que a nossa sociedade faz hoje com os gays, por exemplo. Mas essa imagem não se trata de uma atrocidade devido ao preconceito, trata-se de uma fatalidade com um caminhão-tanque que explodiu no Congo onde muitas pessoas morreram carbonizadas. Se vocês pesquisarem encontrarão diversos sites publicando erratas ou discussões sobre este assunto como estes dois: Jornal Boa Nova e E-farsas. O problema é que algum inconsequente escreveu este textinho abaixo, e só no link da foto que disponibilizei à vocês, mais de 5.000 “ingênuos”, compartilharam com mensagens errôneas.

“Cade a Globo?
Cristãos queimados vivos
por muçulmanos sunitas da Nigéria.
Notícias como esta, que deveriam estampar a primeira página dos jornais, são solenemente IGNORADAS pelos grandes da mídia!
Somos um pais Laico, temos a liberdade de falar desta palavra(Deus) e ainda achamos que estamos confortáveis de mais….
Vamos divulgar!!! Um verdadeiro absurdo!
Triste demais, mas a pura realidade! Divulguem…
Ainda: JESUS está a voltar!!!”

Pode isso? Neste caso, acho ainda pior porque quando se trata de religião as pessoas tem a tendência de se revoltar e seguir mais cegamente. Entrei em contato com o possível “dono da foto”, e com toda educação e respeito contei a ele sobre o erro. Nem sequer tive uma resposta e a foto continua sendo compartilhada. Entre firmar o compromisso com a verdade e ter mais de 5.000 pessoas vendo seu perfil, parece que ele optou pelo status da 2ª opção.

3) Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) colocará fieis devedores no SPC e SERASA (link)

*SPC e SERASA são órgãos brasileiros de proteção ao crédito.

Não tem nada a ver com religião, e eu sinceramente não duvido que isso um dia pode acontecer, mas até onde pude checar, isso é apenas uma notícia CRIADA por outro site de humor brasileiro, o G17. Descobri o erro quando um jornalista moçambicano de um jornal respeitado aqui em Moçambique, publicou-a em seu Twitter pessoal, alertando o povo moçambicano sobre o que a IURD tem feito no Brasil. Existem IURD’s aqui, imagine o quanto isso pode ter repercutido/influenciado já que foi divulgado por um indivíduo formador de opinião? Entrei em contato com ele para explicar e ele comprendeu, mas não excluiu. Aí, eu é que fiquei sem entender. :(

Por essas e outras, meus amigos, talvez realmente estejamos mais inteligentes para algumas coisas mas mais ignorantes para outras também. Estamos passando por um novo processo e aprendendo a lidar com toda essa novidade, e o que vale é a reflexão para situações futuras.

O que vocês pensam sobre esse turbilhão de conteúdo que nos bate à porta a cada segundo? Contem pra mim! ;)

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”