3ª Gentileza para auxiliar na adaptação profissional de um estrangeiro: Aprenda e ensine!

E cá estamos na 3ª Gentileza que pode facilitar a vida de qualquer um, em uma mudança radical como trabalhar fora, por exemplo. Na 1ª Gentileza falamos sobre o quanto obter informações sobre o novo lugar é importante e na 2ª, vimos que não custa nada aprender um bocado do idioma local. Hoje, vou compartilhar com vocês o que senti no dia-a-dia: a gente exije que todos saibam tudo mas nem sempre nos colocamos à disposição para ensinar e aprender também. Um profissional qualificado e atualizado é desejado em qualquer empresa. Para ser contratado no exterior, isso pode ajudar muito. Aliás, muitos estrangeiros são contratados pois as empresas não conseguem encontrar na população local, profissionais com os requesitos necessários para uma determinada vaga. Neste último caso, o estrangeiro contratado pode utilizar este conhecimento para o bem ou para o mal.

Se ele for “do bem”, a ideia vai ser compartilhar o conhecimento e  ser um exemplo de cooperação e de trabalho em equipe. Os antigos índios brasileiros trabalhavam assim, todos tinham a oportunidade de aprender tudo e com isso as aldeias se desenvolviam cada vez mais rápido e de forma harmoniosa.

Se ele optar pelo lado ruim, das duas, uma: ou ele será um profissional egoísta, que guardará o conhecimento à 7 chaves, se tornando arrogante e indesejado, ou ele vai querer mudar tudo o que encontrar pela frente pois, para ele, apenas a forma que ele conhece de fazer as coisas é a correta.

DIFICULDADE: Você domina sua profissão, mas em um novo contexto histórico-sócio-cultural talvez você tenha que reaprendê-la. Sim, isso pode acontecer. Todos nós sabemos que “aprender” é uma tarefa eterna, mas na prática alguns profissionais caem no erro de julgarem que já detém todo o conhecimento possível.

GENTILEZA: Esteja aberto a novas sugestões, oportunidades e feedbacks. Isso apenas lhe trará mais conhecimento, o que é ótimo. Se tiver a oportunidade, discemine conhecimento por onde passar, como diz o velho ditado: “Quando você, com a sua vela, acende uma outra, você não perde a sua própria luz. Apenas ilumina mais ainda o lugar”.

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

1ª Gentileza para auxiliar na adaptação profissional de um estrangeiro: Informe-se!

Num post anterior, compartilhei como vocês 3 pontos que podem auxiliar no processo de adaptação de um profissional estrangeiro, mas como em qualquer situação, todos tem seus direitos e deveres. Dessa vez, quero explorar algumas partes relacionadas aos “deveres”.

No Brasil, tive a oportunidade de trabalhar, mesmo que não diretamente, com estrangeiros e sempre achei incrível. Vê-los, ouvir o sotaque, imaginar a cultura, me fazia acreditar que eu teria muito o que aprender com eles. Agora a gringa sou eu, passei para o outro lado e a visão tem ficado cada vez mais ampla. Para ilustrar isso, neste e nos posts seguintes, vou listar algumas dificuldades que vivi/vivo e gentilezas que aceleraram/aceleram meu processo de adaptação:

DIFICULDADE: Ir para uma outra nação somente a trabalho, pode causar saudade excessiva e comparações arrogantes. Gostar da sua pátria-mãe é aceitável e até visto com bons olhos, mas idolatrá-la ao ponto de menosprezar as demais é um erro grave ao meu ver. A situação piora quando o profissional insiste que o país que o acolheu é que deve se adaptar a ele, e muitas vezes se tornar igual ao seu país de origem.

GENTILEZA: Normalmente, você será sempre um hóspede para os donos da casa, então facilite o caminho e se prepare como se fosse fazer uma viagem de férias. Pesquise sobre o local, sua história, cultura, costumes, etc, pois conhecer os anfitriões ajudará muito no processo de compreensão desta nova sociedade. Permita-se experimentar um novo estilo de vida, jeito de trabalhar, sabores, horários, clima, amigos, músicas, enfim, se dê a oportunidade de ser um profissional flexível.

Por último, antes de partir para qualquer viagem, faça um enorme favor a você mesmo, e assista esta pequena palestra do Professor e Filósofo, Mário Cortella. “Você sabe com quem está falando?”

E você o que acha, se adaptaria facilmente a todas essas mudanças?

 

Sâmela Silvaé uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | FacebookBlog “A grama da vizinha”

Trabalhar no exterior é fácil? 3 pontos que podem fazer a diferença neste processo.

Mudar de lado me fez perceber o quanto é desafiador trabalhar fora da sua pátria. Por ter trabalhado em grandes empresas no Brasil, já tive a oportunidade de conhecer profissionais estrangeiros mas nunca parei para pensar em quais eram os desafios e vantagens de estar nesta posição. Também não pensei “Olha os gringos roubando o emprego dos nativos”. Aprendi que seja gringo ou não, se está em um cargo melhor do que o meu é porque em algum momento este profissional teve algo a mais ou a menos que eu, mesmo que ele tenha somente sabido se “vender” melhor em uma entrevista, e cabe a mim aprender cada vez mais para alcançar o nível desejado. Esse intriga, estrangeiros x nativos, se é que posso definir assim, ao meu ver é prejudicial e só faz ambas as partes perderem a oportunidade de uma troca cultural e profissional incrível!

Além disso, nem todas as empresas entendem a responsabilidade que é trazer um estrangeiro. Enquanto algumas são uma mãe, outras… A matemática é simples, se você precisou de algo diferente, vai ter que investir de forma diferente.

1) O choque cultural

A mudança cultural e social pode afetar este profissional momentâneamente, que precisará do apoio da empresa para se adaptar de forma rápida e consistente. Pensando na pirâmide de Maslow, é necessário garantir as necessidades primárias para que a mente deste colaborador esteja livre para se dedicar 100% ao trabalho. Segurança, moradia, saúde, alimentação, transporte, tudo tem que estar garantido no pacote, caso contrário, você afetará pontos demasiadamente delicados e que impactam diretamente na qualidade e produtividade do indivíduo.

Pirâmide de Maslow

2) Uma andorinha só, não faz verão

De nada adianta trazer experts se você não oferecer a infraestrutura adequada e se a equipe que trabalhará ou dará suporte a ele, não estiver treinada e preparada para este novo conhecimento. Não faz sentido colocar a cereja no bolo se a massa não estiver pronta. Você não vai ter o retorno esperado e vai ganhar um profissional exausto e desmotivado por tentar, tentar, e não conseguir. Ainda há gestores com dificuldade de perceber que investir em pessoas, é investir na própria empresa e isso só atrasa o processo crescimento e amadurecimento da mesma. Investir nos profissionais nativos é tão, ou até mais, importante quanto trazer “cabeças diferentes”.

3) O combinado não sai caro

O contrato de trabalho será o elo que protegerá a relação trabalhista, mas qualquer acordo feito deve ser cumprido da mesma forma. Em outras palavras, é prometer somente o que se pode cumprir. O profissional precisa confiar sua vida à instituição, e isso requer muito comprometimento, respeito e empatia de ambas as partes. *empatia: capacidade de se colocar no lugar do outro.

Há muitos outros pontos, mas que compartilharei aos poucos com vocês, inclusive o que o estrangeiro pode fazer para ser “um hóspede” desejado, afinal todos tem seus direitos e deveres.

Para finalizar, nunca imaginei o quanto os itens imensuráveis podem afetar o dia-a-dia deste profissional. Lembro-me de ter trabalhado no Brasil com um sul-africano e vê-lo em estado de euforia na Copa do Mundo de 2010, ao ver seu país sediar a copa e ele não poder estar lá. Há vantagens em trabalhar fora, mas o expatriado perde coisas que não tem preço e que muitos nunca entenderão, por isso, valorizar o que ele valoriza criará um clima de gratidão que só somará ao cenário. Com o suporte necessário, ele sempre sentirá que seu esforço vale a pena e isso refletirá diretamente em seus entregáveis. Com uma boa relação, profissionais e empresa conseguem evoluir e a equipe como um todo terá muito conhecimento para partilhar e sugar.

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”