O que andam fazendo com Deus?

Olha, se eu estivesse no lugar do “Cara”, já estaria de saco-cheio de muita gente.

É com essa sinceridade que começo meu relato sobre as atrocidades que tenho visto sendo feitas em nome dEle.

Diversidade e respeito sempre! Se é do bem, que mal tem?Eu cresci com gente tentando me explicar o que é Deus. E atente-se: o que é Deus. Não um deus. Porque isso já faz diferença, o deus que me apresentaram não era uma opção. Era Ele e pronto. Com letra maiúscula e não pode ser escrito no plural. Afinal, no cristianismo há uma verdade absoluta que não pode sequer ser questionada.

O problema é que de um lado me ofereceram essa caixa sem possibilidade de alterações, e por outro, me fizeram estudar em um colégio que me apresentou um leque de opções. Resultado, uma adolescente frustrada, cheia de preconceitos, medos e dúvidas. E foi este último item que me salvou, as dúvidas.

Pontos de interrogação na cachola e uma dose elevada de curiosidade me fizeram pesquisar, experimentar, e a partir dos 15 anos foi difícil me dar qualquer resposta. Se viesse com algo “Não tem resposta, você acredita, simplesmente acredita, segue e pronto”, estava feito o estrago. Aí sim é que eu ía mais a fundo. Como assim não tem resposta? Como assim tanta coisa é proibida? Como assim eu não posso participar de outras manifestações espirituais, sociais, culturais?

E hoje, aos 26 anos, depois de muito “apanhar” para me livrar dessa bagagem pesada posso dizer que ganhei um dos maiores bens do ser humano: a liberdade. Eu experimento, me envolvo, pesquiso com a mente aberta e tiro minhas próprias conclusões. E me sinto tão livre que me permito mudar essas mesmas conclusões diariamente. Parei de seguir o roteiro pregado há séculos por gente que nem conheci, por gente que nem me conheceu e estou descobrindo o que é deus pra mim.

Hoje, o que fazem com deus é inseri-lo em contextos de interesses políticos e econômicos, mas a espiritualidade tem cada vez ficado mais de lado. As vezes me pergunto que deus é esse que inventaram que tem tempo e saco pra ficar se preocupando se você ouve músicas “do mundo”, se você é hetero ou gay, se você não é mais virgem, se você não deu o dízimo, etc. Com gente morrendo de fome e frio, sem acesso a saneamento básico, educação, sofrendo violência sexual/doméstica, e por aí vai, acho que ele tem muito mais o que fazer assim como as pessoas que se preocupam com essas moralidades.

Eu tenho medo do andam fazendo com culturas lindas como a do cristianismo...

Eu tenho receio do que o poder em mãos erradas pode fazer.

Entendi, depois de muito pesquisar e me autoconhecer, que sou agnóstica. Creio que há algo que nos move, uma energia única mais ligada a natureza do que a templos, ao silêncio do que à pregações histéricas, mais interessada em quem somos do que no que temos, mais livre do que preso à regras inventadas pelos homens, mas não cabe a mim defini-lo. Aliás, daí já vem uma definição, falamos deus sempre voltado ao gênero masculino, e se for ela? E se não tiver sexo! E se…

Bom, quando estou me enchendo de qualquer tipo de razão e certeza absoluta já me vem esse vídeo na cabeça. O filósofo brasileiro, Mario Sergio Cortella, foi muito feliz ao nos mostrar o quanto o Universo é desconhecido e o quanto subestimamos e menosprezamos o dom supremo do amor, enfim, Deus. Vale a pena investir 9 minutos para assistir:

A única coisa que sei é que esse deus criado e pregado há gerações, castigador, amedrontador, etc, só serve para uma coisa: manipular as massas que não se dão ao trabalho ou não tiveram recursos para raciocinar, pesquisar, e o mais importante, que ainda não aprenderam a olhar para o seu interior, respeita-lo e ouvi-lo. Essa guerra religiosa que acontece há séculos é uma das maiores perdas de tempo que já vi, e se você anda perdendo tempo com isso, repense!

Sâmela Silva, é Jornalista, Consultora em Gestão Empresarial e TI e Palestrante pelo projeto Marula Brasil. Curiosa que é, teve a oportunidade de morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto.

LinkedIn | Twitter | Facebook | Projeto Marula Brasil

Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito! 5 – Família faz parte do pacote.

Da série Coisas que aprendi depois de alguns relacionamentos…

Como toda criança que se preze eu ouvia a conversa dos adultos mesmo brincando de mil coisas ao mesmo tempo, e uma vez ouvi: “Família faz parte do pacote”. Primeiro eu não entendi. Com o passar do tempo pensei: “Que horror, que desnaturado(a)!”. E hoje, eu digo, e que pacote, hein!

Sim, meus amigos, a família faz parte do pacote! Você elege um e ganha uma série de parentes de brinde. E, brincadeiras à parte, isso pode ser uma benção ou um verdadeiro presente grego. Além da personalidade da família em si, tudo dependerá também de como você os recebe, a responsabilidade de dar certo é de ambos os lados.

Sorte com sogras, eu tenho!Eu sempre tive sorte com sogras, todas até hoje se mostraram como uma segunda-mãe, e dos relacionamentos onde chutei ou fui chutada, uma das coisas que mais doeu foi deixa-las. De chegar e ter minhas comidas prediletas à segurança de trocar de roupa na minha frente, eu já passei por de tudo um pouco ao lado delas. E na boa, sempre achei o máximo ser recebida sem frescura e com muito amor! Tenho dado sorte, e vivido nestes “12 anos de carreira”, grandes momentos de reciprocidade.

Mas confesso que sempre vem aquele frio na barriga na hora de conhecer a família dos companheiros. O lugar onde cresceram, ver a forma que foram educados, costumes, vícios, qualidades e defeitos da família que a partir de então passa a ser um pouco sua também. E há horas onde tomamos um susto, “Como um ser tão perfeito pode ter vindo de um núcleo familiar tão estranho”? Sim, isso acontece.

Quando não há sinergia, lascou. Às vezes, a família não faz questão de você. Às vezes, você não começa bem a relação e prevalece o ditado: “A primeira impressão é a que fica”. E aí pronto, está feita a lambança.

Por outro lado, tudo pode começar bem mas um namoro de 3 meses é uma coisa, de 8 é outra e um relacionamento de 2 anos é outra maior ainda. E, de repente, você se vê em meio a tanta confusão, ou desamor, ou desunião, ou problemas financeiros, etc, e em uma família que não é a sua, mas se você se casar/unir, estará assinando uma carta com o seguinte dizer, “Quero participar disso”. Porque é isso que vai acontecer, mesmo que você tente ficar neutro, decisões afetarão seu parceiro, logo afetarão você.

Família muito complicada, será que queremos ou precisamos participar disso?

Família muito complicada, será que queremos ou precisamos participar disso?

Não é fácil. E não estou dizendo pra você abandonar seus amores porque a família tá pra lá da Buscapé. Mas estou dizendo para você observar desde o começo, afinal, você tem poder de escolha, e isso também é uma escolha. Tem gente que tem muita facilidade pra atrair problema, na boa, eu fujo deles! Até porque boa parte do que somos vem da família, se você se horroriza com a família, cuidado! O ser humano adora uma repetição, filhos imitam o comportamento dos pais mesmo dizendo que nunca fariam determinadas coisas como seus pais faziam. Então mais uma vez, observe. E observe-se também, pois você tem defeitos como eles (talvez não os mesmos, mas tem defeitos) e você também vem de uma família que nem sempre vai ser a dos sonhos do seu amado.

Se eu pudesse deixar uma dica, seria: apenas cuide para que a relação seja saudável desde o início e evite misturar as coisas. Observe se há itens que você pode mudar no ambiente para melhorar as relações entre companheiro e família, mas não se esqueça da real importância de cada um. Lembre-se sempre que a família de onde você veio é única e é a base, e quando você se une a alguém, uma nova família se inicia com tanta importância quanto.

*Perdeu os primeiros relatos da série “Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito!”? Não se desespere! Confira clicando nos links abaixo! ;)

1 - Vá aproveitar a vida!

2- É bom ser da mesma espécie

3- Seja você mesmo. Mesmo.

4- É proibido mudar! Só que não.

Sâmela Silva, é Jornalista, Consultora em Gestão Empresarial e TI e Palestrante pelo projeto Marula Brasil. Curiosa que é, teve a oportunidade de morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto.

LinkedIn | Twitter | Facebook | Projeto Marula Brasil

Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito! 4- É proibido mudar! Só que não.

Pé na bunda pode ser bom!Sim sim! Estou de volta para contar o que tantos pés-na-bunda, dados e tomados, me fizeram aprender durante esses 11 anos de carreira. (se você perdeu os primeiros, no fim deste post há links para toda a sequência)

Quando você se apaixona por alguém, normalmente é porque alguns itens que você sempre sonhou como ideais em um companheiro foram encontrados ali. Mas a paixão acontece num piscar de olhos e quando a gente pisca, dificilmente consegue ter uma visão profunda e completa. Com o passar dos dias, você começa a realmente conhecer a personalidade, as manias e opiniões da pessoa e ou você a pede em casamento ou sai correndo.

Se a opção foi continuar no relacionamento, você e sua mochila de expectativas e projeções, já imaginam como tudo vai ser dali pra frente. Ou ao menos como tudo deveria ser. O problema é que as pessoas mudam, umas evoluem, outras regridem, mas fato é que dependendo das experiências vividas e da abertura às novas informações, o indivíduo muda.

Sempre há opções e precisamos ter liberdade para escolherSe a pessoa está regredindo a gente pula fora. Mas e se a pessoa estiver simplesmente mudando, será que sabemos lidar com isso? E se ela estiver evoluindo em uma velocidade diferente da nossa, batendo de frente com nossos caprichos e crenças “únicas”? E se ela simplesmente mudar de ideia? É aí que o que parecia simples, as vezes vira uma troço bem complicado.

Por exemplo, a Sâmela de 10 anos atrás achava que toda a sexualidade diferente do “padrão heterossexualidade” era doença, que maconha era igual a crack, que todo drogado era criminoso, que até os 25 anos de idade deveria estar casada e com ao menos 1 filho e que até aos 30 deveria ter o 1º apartamento, que carro era demais e bicicleta uma coisa imbecil, que o Brasil era o único lugar bacana do mundo, que só coisa cara era coisa boa, que só uma religião era certa e os outros com uma crença diferente iriam para um grande inferno se não obedecessem o deus tão bravo e castigador que me foi apresentado, e por aí vai.

E se o outro quiser algo diferente do convencional? Pense nisso!

É, a gente muda de ideia o tempo todo!

Essa Sâmela não existe mais e se alguém tivesse se apaixonado por ela e não aceitasse e respeitasse todas essas mudanças, provavelmente não estaríamos mais juntos. Logo, querer estar com uma pessoa por muito tempo, significa já aceitar que aquela pessoa é livre e que diariamente terá contato com coisas diferentes que poderão lhe dar mais luz sobre o que realmente importa para sua felicidade individual e da sua comunidade como um todo. E se é você quem está mudando e quer que seu companheiro esteja com você nas novas rotas, minha dica é: haja como um jardineiro e não como um trator. Passar por cima do outro dizendo que ele está errado ou que é lerdo não vai ajudar, mas trata-lo com carinho, fazendo negociações, lhe dando insumos informativos e opções, inserindo-o de forma gradativa e respeitosa, etc, podem facilitar e até acelerar o processo.

O casamento pode ser livre?Não consigo mais imaginar relacionamentos onde eu não possa sentir vontades diferentes, curiosidade, etc. Ontem eu odiava chuchu e hoje quero experimentar, só porque eu disse que eu odiava nunca vou poder sentir o gosto do bendito legume? Eu já ouvi e falei muitos “não’s” e concluo que foi pura falta de segurança e maturidade. É incrível encontrar alguém com quem você possa ser sincero e ser realmente livre. Ninguém precisa gostar e fazer as mesmas coisas que o companheiro, mas se a ideia é ter um relacionamento saudável, maduro e duradouro, penso que é necessário respeitar sem deixar de lado o bom senso e amor próprio pois negar-se também é arriscado, é o famoso “equilíbrio”.

Em minhas experiências entendi que algo que está no topo das coisas vitais para um ser humano ser feliz é a liberdade. Mais um item na lista de quem acha que só o amor basta. Não, não basta, pelo menos para mim não. Quero ao meu redor pessoas que me estimulem, que agreguem, que tragam novidades, que não tenham certezas absolutas, enfim, que entendam que estamos aqui para evoluir e sintam que juntos é muito mais gostoso!

*Perdeu os primeiros relatos da série “Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito!”? Não se desespere! Confira clicando nos links abaixo! ;)

1 - Vá aproveitar a vida!

2- É bom ser da mesma espécie

3- Seja você mesmo. Mesmo.

Sâmela Silva, é Jornalista, Consultora em Gestão Empresarial e Palestrante pelo projeto Marula Brasil. Curiosa que é, teve a oportunidade de morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto.

LinkedIn | Twitter | Facebook | Projeto Marula Brasil

5 documentários que me tornaram uma pessoa mais bacana

icebergEu não tinha o hábito de assistir documentários (não me pergunte o porquê) mas de uns anos para cá a TV aberta anda tão podre que os canais pagos foram a opção. Ainda bem. Passei a ter contato com diversas coisas bacanas, canais como Discovery (todos), National Geographic, History, etc, se tornaram meus grandes companheiros nos fins de semana e pela 1ª vez, vi uma utilidade real para as horas que eu dedicava à telinha. Depois, a internet se tornou uma grande aliada e qualquer assunto que eu quero pesquisar o Google dá aquela forcinha!

Dentre tantas coisas que assisti nos últimos meses, 5 realmente me fizeram refletir mais e parar de querer opinar olhando somente a parte externa do iceberg. Eu tenho o pensamento de que nada deve ser tomado 100% como verdade, a dúvida é que nos faz caminhar e evoluir, mas esses documentários me abriram janelas, me apresentaram alternativas, me mostraram flexibilidade e não imposições, revelaram dados, etc. Me fizeram ficar pensativa por dias depois de tê-los assistido, me fizeram uma pessoa melhor apenas por ter me permitido olhar por outro ângulo e se eu fosse você também assistiria!

1) The Coconut Revolution (A revolução do coco)

O que é? Esse documentário relata o conflito entre o Governo de Papua Nova Guiné e o movimento pela independência da ilha de Bougainville (a maior das Ilhas Salomão). (saiba mais clicando aqui)

O que aprendi? Que é possível viver de uma forma diferente. O documentário mostra a luta dos moradores locais pelo seu espaço, pelas suas crenças, sua língua e etc. Mais do que isso, mostra como seres humanos unidos podem fazer de uma ilha isolada uma sociedade completa, complexa e livre.

Por que vale a pena? Porque em meio a tanta tecnologia esse grupo nos mostra como viver a partir da unidade e inteligência. É motivador e inacreditável, muitos de nós não teríamos feito metade do que eles fizeram com tão pouco.

2) Porque a bíblia me disse assim

O que é? Relatos reais de pais de religião cristã que se depararam com um grande conflito: filhos gays.

O que aprendi? Que o amor é incondicional. Muitos pais tiveram que se abrir para o novo para não agir com crueldade e indiferença, procuraram auxílio psicológico, se informaram, buscaram fontes, tudo para não romper um dos maiores ensinamentos bíblicos, o amor. Aqueles que não se libertaram perderam tempo, perderam filhos e está em seus olhos o arrependimento até hoje. Aprendi que espiritualidade é bem diferente de religiosidade e eu fico com a 1ª.

Por que vale a pena? Porque este é um assunto antigo mas que ainda estamos tentando entender. E como é difícil para a nossa sociedade, hein? Ao invés de ficar imaginando ou com argumentos sem experiência alguma, o documentário nos dá a possibilidade de sentir na pele o que essas famílias passaram. Nos faz refletir e quem sabe até nos melhorar como pais e mães, ou futuros pais e mães, como no meu caso.

3) A incrível jornada humana

O que é? Uma antropóloga tenta refazer a jornada do ser humano pelo planeta Terra por meio de vestígios arqueológicos. Desde o seu surgimento até os tempos atuais.

O que aprendi? Que a ciência não é por acaso e que muita coisa faz sentido quando raciocinamos sem influências. Há diversas teorias científicas, e como eu disse, “teorias”, entretanto é muito mais simples entendermos nossas raízes quando deixamos que o próprio planeta nos conte por meio de suas rochas, marcas, relevos, climas, objetos e pinturas antigas, etc.

Por que vale a pena? Porque para mim, que cresci com um excesso de informação religiosa, foi ótimo ver por outro prisma. Entendi melhor minhas próprias origens, consegui boas respostas para alguns “por que’s” que nunca me respondiam. É interessante entendermos nosso passado para assimilar o presente e quem sabe imaginar o futuro de forma factível.

4) Quebrando o Tabu

O que é? Um documentário atual onde grandes personalidades como Bill Clinton, Fernando Henrique Cardoso, Gael Garcia Bernal, Dráuzio Varella, Paulo Coelho, entre outros, discutem um tema muito polêmico: drogas. (saiba mais clicando aqui)

O que aprendi? Que há gerações estamos tratando das drogas de forma errada e que há muito interesse por trás disso. Um mundo sem drogas? Utópico. Elas sempre existiram. Estão inclusive na natureza, mas há como conviver em paz. Aprendi que mais uma vez a falta de informação e o preconceito são problemas que estão em nossas entranhas e pra conseguir evoluir vai doer muito, mas é preciso. Entendi a diferença entre descriminalizar e legalizar. E reforcei conceitos que eu já tinha visto em outras leituras e em outros documentários, sobre a real potência de cada droga, tratamentos alternativos, o drogado visto como doente e não como criminoso, etc.

Por que vale a pena? Porque a televisão mostra o que quer sobre isso, e infelizmente o conservadorismo e a religião mais uma vez tem cegado a humanidade. Porque é preciso conhecer mais sobre o assunto para poder discuitir sobre ele, porque podemos ter pessoas ao nosso redor precisando de nós e se formos com a nossa bagagem envenenada em nada ajudaremos.

5) Zeitgeist, O filme

O que é? Eu não sei se posso classificá-lo como documentário, mas é interessantíssimo. Um pouco ousado e você vai sentir vontade de parar de assistir nos 10 primeiros minutos, mas persista, vale a pena. Mostra assuntos polêmicos como o ataque as torres gêmeas nos E.U.A., cristianismo, o sistema bancário mundial, etc, de uma forma que te faz refletir sobre a veracidade dos mesmos. (saiba mais clicando aqui)

O que aprendi? Aprendi a questionar, a duvidar. E pra mim, fazer perguntas e buscar respostas sempre foram os caminhos que levaram a humanidade a evoluir, então… foi ótimo nesse aspecto. É bom ter gente questionando as verdades absolutas, é bom por o cérebro pra funcionar. Você passa a ser mais pé no chão, a respeitar opiniões diferentes e a aceitar que podem existir outras possibilidades e isso é libertador.

Por que vale a pena? Porque apesar de ter itens questionáveis e pobres de fontes realmente confiáveis, nos faz refletir, nos incomoda, gera curiosidade e possibilidades infinitas. É bacana ter contato com esse tipo de coisa!

O legal é assistir sem preconceitos, e claro, não absorver nada como verdade absoluta. Tudo serve para reflexão, estimular a busca pelo conhecimento, dar mais base aos argumentos e claro, aumentar nossos horizontes! Ah, e vale fazer pipoca pra assistir! ;)

Já assistiu algum ou quer compartilhar outro documentário que não esteja aqui? Deixe sua opinião e sugestão aqui nos comentários!

Sâmela Silva, é Jornalista, Consultora em Gestão Empresarial e Palestrante pelo projeto Marula Brasil. Curiosa que é, teve a oportunidade de morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto.

LinkedIn | Twitter | Facebook | Projeto Marula Brasil

2012, o ano mais Yin-Yang de todos

Yin-Yang2012 tem sido um ano tão diferente que dessa vez senti vontade de registra-lo. Algo que o resume bem para mim é o antigo símbolo oriental Yin-Yang. Segundo a Wikipedia, Yin-Yang são dois conceitos do taoísmo, que expõem a dualidade de tudo o que existe no universo. Descreve as duas forças fundamentais opostas e complementares, que se encontram em todas as coisas. O Yang é o princípio ativo, diurno, luminoso, quente. Já o Yin, é o princípio passivo, noturno, escuro, frio. Assim tem sido meu 2012, cheio de opostos, contradições, complementos, dúvidas e certezas.

A começar de que no 1º semestre eu estava em solo africano. Não podia ser mesmo um ano comum. Eu poderia dizer qua Moçambique foi um presente grego se pessimista eu fosse, porque cá entre nós, eu teria bons motivos para pensar assim. Saí do Brasil com um emprego estável, salário bacanérrimo para uma mulher de 24 anos, uma casa mobiliada, Leona e eu vivendo na santa paz. Voltei sem Leona, sem emprego, sem dinheiro, sem casa. Uma bela receita para enlouquecer, mas resolvi aceitar a experiência como um real presente. Grego era apenas meu pensamento egoísta sobre isso tudo.

Lembro que comecei Janeiro muito bem, ao lado de amigos muito queridos, um Reveillon meio sem fogos em Maputo mas ok! Estávamos felizes pois estávamos juntos, longe de nossas famílias e amigos de longa data, mas estávamos juntos. Nos dando carinho, ombro, risos, etc. Um fato triste aconteceu, minha professora de inglês foi brutalmente assassinada e passamos dias bem esquisitos, com uma sensação de insegurança e impotência. Fiz meus 25 anos, e foi inevitável pensar que “Eita, 1/3 já se foi, com muita sorte 1/4, e o que foi que eu fiz nesse tempo?”.

Fevereiro e Março foram meses que simplesmente passaram e eu sinceramente não me lembro de algo expressivo. Mas me lembro de um clima estranho no ar, aquele sexto sentido feminino que tentou por várias vezes me avisar sobre muitas coisas e eu com minha incrível capacidade de ignorar, ignorei. Mas Abril foi até bacana, fiz meu segundo safari na África do Sul onde ganhei o céu mais estrelado que já vi na vida, um guepardo (cheetah) a poucos metros fazendo várias gracinhas como um gatinho e babuínos tentando invadir o carro. Além disso, foi o mês em que completei 1 ano em Moçambique e lembro que o saldo foi positivo e até escrevi sobre isso.

Cheetah no Kruger Park, África do Sul

Cheetah no Kruger Park, África do Sul

Um dos 3 babuínos que subiram no carro no Kruger Park, África do Sul! Medo mas bom d+!!!

Um dos 3 babuínos que subiram no carro no Kruger Park, África do Sul! Medo mas bom d+!!!

Em Maio veio a parte grega do presente. O príncipe cansou, o romance acabou e não foi nada divertido pra princesa aqui. Um dos meses mais difíceis de toda minha vida, e só quem ficou do meu lado para entender. Difícil pela dor do susto e difícil pelo maior processo de mudança que já aconteceu comigo. Em um mês muita coisa em mim mudou, muita coisa se foi e muita coisa nova chegou. Foi o mês onde conheci um dos livros mais importantes pra mim até hoje, “A essência do amor” por Osho. E o mês onde me permiti viver como se fosse o último mês de vida! Foi incrível! E teve o festival de artes na Suazilândia, o Bush Fire, que foi o desfecho mais fantástico de África! Onde recarreguei as energias para voltar para o Brasil na vibe certa.

Dançando do Bush Fire 2012!

Dançando do Bush Fire 2012!

Malta (galera) de Moçambique no Bush Fire 2012! Inesquecível!

Malta (galera) de Moçambique no Bush Fire 2012! Inesquecível!

Depois de muito dengo dos meus amigos e não posso deixar de citar Rebeca Lima, Lívia Monteiro, Marcela Figueirêdo, Renata Moraes e Lidi Mendes que estiveram comigo de uma forma que eu serei eternamente grata, chegou dia 12 de Junho, o dia em que embarquei de volta para minha terra. Rsrsrs… (rindo pra não chorar!) E mais uma vez me vi nos metrôs e prédios cinzas de Sampa. Mais uma vez na zona leste, e depois de 4 anos de independência foi o colo de mãe que me acolheu. Que mês estranho. Chorei muito, saudade da Le, achei que não iria me adaptar, por outro lado comecei a rever pessoas queridas, os dias foram passando e vi que difícil seria e está sendo mesmo, mas nada impossível.

Eu e Du no YouPix 2012!

Eu e Du no YouPix 2012!

Julho marcou o início do 2º semestre, e sério, uma nova vida começou. Foi quando um desejo de contar pro mundo como África foi linda e libertadora surgiu. Foi quando eu percebi que ser escritora de literatura infanto-juvenil poderia ser um caminho. Foi quando amigos me convidaram pra pôr a cabeça pra funcionar num projeto bacana no bairro de São Miguel Paulista, o Vizinhando, valeu Beto, Guigo e Du! Dei um pulo em Socorro e Paranapiacaba e foi bem bacana! Mas o mais incrível foi que mesmo querendo distância de relacionamentos, meu amigo Eduardo em pleno YouPix (evento voltado ao público da internet) me mandou um sms dizendo: “Desce para conhecer o Carriço”. Era Felipe Carriço, um cara que escrevia pro Discorra.com assim como eu, líamos os textos um do outro e só. Quando conheci o Fe, pensei “Vai dar merda!”. Rsrsrs… Porque na hora senti aquela sensação de “era isso que eu precisava”. Eu sabia que por mais traumatizada e assustada que estivesse, eu deveria tentar. Estamos juntos até hoje. :)

Fe e eu! :)

Fe e eu! :)

O mês seguinte foi um marco. Foi quando comecei a visitar escolas públicas e entender como minha experiência em Moçambique poderia contribuir para o meu meio social. Em Agosto, a EMEF Pedro Teixeira me abraçou como uma mãe e nasceu a peça de teatro “Marula Brasil – A terra de Kianga, Thairú e o Feitor de Pão”.

Eu e o vô Heraldo!Setembro, veio a confirmação, nascia o projeto Marula Brasil. Ainda engatinhando, imaginando como seria. Dei um pulo em Itatiba, mais uma pequena viagem para alimentar esse bichinho que adora uma mochila nas costas. Conheci Fernanda Galli, a correspondente da Argentina do meu 1º blog, o A grama da vizinha. Mas o maior presente foi ter conhecido pessoalmente meu avô paterno, o galego pernambucano de olho azul, Heraldo. Foi ele quem casou com a quase índia Ete, minha avó querida. Um marinheiro que foi se aventurar, e que só conheceu os netos paulistanos neste ano. Ouvir suas histórias, poder abraçar, cheirar, beijar. Esse foi um dos dias que entendi o porquê de estar no Brasil novamente.

Outubro foi a correria mais deliciosa! O projeto ganhou forma, a amiga e psicóloga Patricia Lira veio me auxiliar e assim nasceram as Vivências em escolas públicas. Foi um mês desafiador, preparar material, pensar na didática e dinâmicas, visitar escolas para fechar agenda. Fui muito bem recebida e mais uma vez senti: tudo valeu a pena!

Ah, Novembro… um dos melhores meses da minha vida! Nunca fui tão feliz profissionalmente. Sim, profissionalmente porque apesar de tudo ter sido feito de forma voluntária, eu palestrei sobre algo que acredito e senti que trabalhar das 7h da manhã as 18h, chegando rouca, com as pernas doendo, boca cortada de tanto falar prejudicando minha alimentação, esgotada mentalmente pois as crianças e adolescentes realmente não estão fáceis, saúde dando sinais de esgotamento devido ao estresse de todo esse ano, pegando piolho já na 1ª semana de projeto, rsrs… enfim, mesmo com tudo isso, no fim do dia eu estava realizada! Feliz! Dia 30 de Novembro foi o dia da apresentação da peça de teatro e sim, eu pisei no céu e voltei! Valeu a pena! Aos professores queridos da EMEF Pedro Teixeira, meu muito obrigada em particular, vocês foram incríveis! E os amigos que também auxiliaram de forma voluntária meu mega, OBRIGADA! :)

Vivências Marula Brasil - EMEF Gov. Mário Covas

Vivências Marula Brasil – EMEF Gov. Mário Covas

Eu, Pati  e crianças no projeto!

Eu, Pati e crianças no projeto!

Vivências Marula Brasil

Pai e mestres experimentando Moçambique, experimentando África!

Pai e mestres experimentando Moçambique, experimentando África!

Professores no cenário da peça "Marula Brasil - A terra de Kianga, Thairú e o Feitor de Pão"

Professores no cenário da peça “Marula Brasil – A terra de Kianga, Thairú e o Feitor de Pão”

Alunos e professores eufóricos após a apresentação do teatro! (foto por Vanderson Atalaia)

Alunos e professores eufóricos após a apresentação do teatro! (foto por Vanderson Atalaia)

Chegou Dezembro. E surgiu uma tela em branco a ser pintada. Apesar de assustador, senti algo muito bom em relação ao “não saber”. Tudo é possível. Várias opções. Voltar a trabalhar em grandes empresas como foi antes de África, investir no projeto para que ele se sustente e não deixemos de atender esse público tão carente esquecido pelas autoridades e pela própria sociedade. Enfim, várias possibilidades.

Soneca com Leona, tempos bons que já já vão voltar!

Ainda não tenho todas as respostas, não sei como o próximo ano será. Dias aflitos, dias calmos onde uma certeza de que tudo correrá bem pois a lei do retorno existe, dias neutros, dias eufóricos. Todos eles estão me preparando para 2013. Um ano em que desejo ser feliz acima de tudo. E hoje, o que me traz felicidade é bem diferente. Uma nova Sâmela, muito melhor do que antes. Um ser humano melhor. E lógico, desejos novos. De antigo mesmo só desejo Leona e isso acontecerá em breve. De resto, que tudo se faça novo!

Sâmela Silva, é Jornalista, Consultora em Gestão Empresarial e Palestrante pelo projeto Marula Brasil. Curiosa que é, teve a oportunidade de morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto.

LinkedIn | Twitter | Facebook | Projeto Marula Brasil

Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito! 3- Seja você mesmo. Mesmo.

Todo mundo já ouviu essa frase, “Seja você mesmo”. Mas será que realmente entendemos a profundidade deste apelo? Acredito que quando psicólogos e terapeutas reforçam esta necessidade, é porque eles tem uma lista imensa de histórias terríveis e traumas profundos pelo simples fato do infeliz não ter sido sincero consigo e com o parceiro.

A gente sabe que o momento da conquista, o famoso primeiro encontro, é rodeado por uma sensação involuntária e selvagem de “caça e caçador” e não queremos que nada dê errado. Mas, se já na primeira oportunidade encarnarmos um personagem, significa que nem de nós mesmos gostamos. Se não queremos que o outro nos veja como somos, é porque ainda não nos aceitamos. Então, antes de se amarrar, meu amigo, sugiro que você se reconheça, se aceite, mude o que acreditar ser bom para a sua felicidade e principalmente, se ame. Depois disso, você terá condições de oferecer algo à alguém.

O nome dessa situação é: mentira. Simples assim. E quem sofre com isso é você e quem você tanto queria fazer bem. Em um determinado momento, e, acredite, ele chega mais cedo ou mais tarde, você vai enlouquecer e decepcionar a pessoa que saberá que estava ao lado de outro indivíduo, diferente daquele dos primeiros meses de relacionamento. Isso é tão cruel para você quanto para o outro. Uma vez ouvi a seguinte frase e guardei: “Se apaixonar, é quando você encontra alguém com quem você possa ser você mesmo”. Hoje sinto que é isso mesmo.

Fora que a pessoa além de ter o direito de saber para quem está se entregando, precisa ter a consciência de que as pessoas mudam. Vivemos experiências, conhecemos coisas novas e isso nos molda. Imagine se o ser iluminado que está ao seu lado além de conviver com suas mudanças diárias, ainda ter que aceitar que tudo aquilo apresentado no início era um conto de fadas? Nessa hora, na maioria das vezes, vai cada um pra um lado porque sem perceber você tocou em um dos pilares que sustentam qualquer relação: a confiança.

Se sua intenção é uma noite e nada mais, encarnar diversos personagens pode até ser divertido, mas quando você sossegar e quiser viver algo mais profundo e duradouro, sugiro que fique nu de todas as tranqueiras que não formam você, e revele sua essência ao escolhido. A sensação de acordar ao lado de um estranho é uma das mais bizarras, então, se você baba ao dormir, babe. Se você gosta de dançar pelado, dance. Se você ama dormir muito, durma. Se você curte sertanejo, curta. Se você é ateu, seja. Se seu lance é mudar tudo o tempo todo, mude. E se sendo você mesmo alguém disser “Eu te amo” e for recíproco, escancare as portas do seu coração!

*Perdeu os primeiros relatos da série “Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito!”? Não se desespere! Confira clicando nos links abaixo! ;)

1 – Vá aproveitar a vida!

2- É bom ser da mesma espécie

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais.  LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

Dia das Crianças: o presente é deixar seu filho ser ele mesmo

Amanhã é mais um 12 de Outubro! Uma data colorida onde boa parte das broncas e regras são deixadas de lado por 24 horas e o dia é todinho dos pequenos. Mas… e os outros 364 dias do ano?

Eu não sou mãe, então ainda não poderei caraminholar como tal, mas sou filha e vim aqui fazer um humilde pedido de presente: embrulhem a liberdade e dêem de presente aos seus filhos! Hoje com 25 anos, era o único presente que eu gostaria de ter ganhado. A oportunidade de crescer em paz. Tenho muita pena de ver crianças crescendo sendo bombardeadas com opiniões, crenças e sonhos que nem são delas. Mas as coitadinhas são tão pequeninas que só sabem absorver e não se defender. Aí crescem e se tornam o que a humanidade é hoje. Um aglomerado de gente com vícios, preconceitos, baixa-estima, com problemas psicológicos dos mais variados e sem identidade, sem saber quem são e para o quê vieram.

Eu cresci dentro da igreja, uma religião foi imposta à mim. Eu não tive escolha. Tive escolha aos 18, quando vi que aquele monte de ideias fantasiosas e primitivas já não serviam mais pra mim, e aí virei a “rebelde”. Bom, mas voltando, cresci ouvindo uma enxurrada de regras e sem entender boa parte delas. Fui impedida de experimentar coisas simples como festas de Haloween ou a delícia das Festas Juninas e Julinas porque a religião não permitia. Eu não ía para a escola nesses dias, e se eu voltasse com docinhos de Cosme e Damião pra casa, ah… ía tudo pro lixo. Isso na cabeça de uma criança, que tem referências e proporções muito diferentes dos adultos, é muito cruel. Respeito as diferenças, mas defendo a escolha. Quando a criança, o adolescente, enfim, o ser humano, optar por seguir determinada crença após lhe ter sido apresentada a riqueza das diferenças, aí estará a liberdade e o amor. Se a criança crescer e depois de conhecer e se tornar consciente, optar por ser padre, hippie, arquiteto ou uma panicat, ok!

A criança vai “enchendo a mochila” de porcaria, nem faz as perguntas e os pais já lhes dão as respostas. Rosa é de menina, azul é de menino, saia é de menina, calça é de menino, e mais uma c*r*lh*d* de ideias imbecis que um dia algum ser inventou e com certeza foi pra lucrar de alguma forma. Eu queria ter crescido livre. De uns 4 anos pra cá, me deparei com a “minha mochila” cheia de cacarecos e sabe o que é pior? Pra se livrar dessa tralha toda dói, dói muito. Porque a gente passa a acreditar que a lixarada são verdades, que não é possível ser feliz sem todas aquelas coisas. Quando você enxerga que você pode ser do jeito que quiser e acreditar ser o melhor para a sua evolução, é incrível, mas as crenças já se tornaram tão profundas que só com muita força de vontade e persistência você consegue se libertar.

Não culpo os pais, e os meus pais, por isso. Todos eles também foram criados assim, são gerações e gerações repetindo as mesmas bobagens. Mas alguém tem que romper isso, e espero ter a sabedoria de interferir somente quando muito necessário na minha vez. Meus pais me amaram da maneira que julgaram ser a certa e acredito que muitos pais hoje fazem o que fazem por acreditar nisso. O problema é que a maioria ama como os ensinaram a amar, e amor é algo que não se ensina, só se sente. Amor é algo natural, igual a fome e a sede. “Se você ama tem que impor limites, tem que disciplinar, tem que proibir, tem que, tem que, tem que”. Tudo que começa com “tem que” eu já desconfio. Muitas coisas são até bacanas, mas é necessário ponderar. Quantos acharam que proibindo teriam filhos “exemplares”, e depois viram os mesmos filhos tão podados, que estudaram nos melhores colégios e que viviam enfiados na igreja, entregues às drogas, meninas grávidas e etc? Estes pais e filhos devem ter se lembrado de tudo e esquecido do mais importante: amar.

Um livro que me ajudou a enxergar o quanto eu estava cheia de preconceitos e ideias errôneas foi “A essência do amor” de Osho, um sábio indiano que deixou um legado como tantos outros sábios, Gandhi, Jesus, Buda, Chico Xavier, Madre Tereza, e milhares de outros que nascem e morrem e nem temos conhecimento. Nesse Dia das Crianças meu presente seria para os pais, queria que cada ser nesse mundo tivesse a oportunidade de ler este livro, além de outros de diversas origens.  Assim, com um monte de opções e ideias diferentes, acredito que as escolhas seriam mais sensatas.

Eu cresci e na boa, nada “adiantou”. Levo minha vida do jeito que quero e acredito ser o melhor para mim e para o mundo. Tenho amigos gays, heteros e bissexuais, altos, baixos, gordos, magros, negros, brancos, católicos, evangélicos, espíritas, macumbeiros, hindus, muçulmanos, que fumam, que tem tatuagem, que não tem, que tomam banho, que não tomam… a lista é grande! :)  Hoje, sou livre. Hoje posso ser eu mesma, mas é terrível esperar 18, 21, 24 anos para sentir essa sensação.

Eu! 9 anos de idade com cara de “tire essa foto logo e devolva minha roupa normal” rsrs… e hoje aos 25, amando o Festival de Artes Bush Fire na Suazilândia, país africano.

No vídeo abaixo, uma criança se depara pela primeira vez com um casal gay e a reação dela? Ela não tem frescura, não tem preconceito, resumindo, ela os convida para participar de sua vida! A pobreza do mundo acontece quando perdemos nossa inocência, quando deixamos de ser criança.

E para quem acha difícil se reinventar, mudar de opinião, fica preocupado com o que a sociedade e a família vão dizer, recomendo o documentário abaixo. Trata-se de um relato verídico de pais religiosos que tiveram que enfrentar seus preconceitos para não deixarem de lado o bem supremo, o amor. Nele há um depoimento incrível de uma mãe que não conseguiu se libertar de suas teorias e perdeu sua filha para o suicídio. Ela diz que jamais se perdoará por não ter acordado a tempo. Assistam, vocês não vão se arrepender. Através do vídeo abaixo vocês encontrarão todos os capítulos legendados e poderão assistir o documentário na íntegra.

Singela opinião de quem sentiu na pele a pressão de uma sociedade hipócrita e egoísta.

Feliz Dia das Crianças à todos os pais e mães!

*Leia e assista minhas recomendações como uma criança, sem preconceitos  :)

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais.  LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito! 2- É bom ser da mesma espécie

Sabe aquela história de “os opostos se atraem”? Então… 

Os opostos se atraem mesmo, vide o lado positivo e negativo das pilhas, mas olha, se tratando de seres humanos que desejam um relacionamento baseado em companheirismo, presença e cumplicidade, acho que pode ser uma combinação bem arriscada. Eu explico. Agindo no impulso e na paixonite aguda, escolhi pessoas que na maioria das vezes eram o oposto de mim em quesitos essenciais. Ser diferente é bacana, procurar alguém igual é utópico, mas se a pessoa for extremamente diferente nos itens que você tem como base para a sua vida, uma hora o bicho vai pegar.

Por exemplo, sou do tipo que gosta de conversar, ir em exposições, teatros, shows, viajar. Não tenho uma religião definida, gosto de aventuras, de experimentar coisas novas, fico mais segura ao planejar, sou controlada financeiramente, e mais algumas outras bobagens. Pra completar sou romântica, amo surpresas, demonstrações de afeto, etc, mas é incrível como eu sempre tive a capacidade de atrair pessoas que estão c*g*ndo pra tudo isso. Flores então! Eu adoro, e só ganhei uma vez, e foi aquele buquet que veio junto com um “Eu te amo” que me fez fugir. Vai entender… Bom, o problema é que, das duas uma:

Você se frustra

Você vai esperar atitudes e elas não virão. Mas como todo bom apaixonado, você sempre ficará na esperança de que a pessoa abra exceções de vez em quando, que inove, etc, e aí vem uma das mais torturantes sensações: a expectativa. Essa palavrinha tem o poder de te levar do céu ao inferno em segundos. Esperou, não ganhou? Se frustrou. Simples assim.

ou…

Você se anula

Para sustentar o relacionamento e não se frustrar, você começa a abrir mão das coisas. Daquelas coisas que eram essenciais pra você, que te faziam feliz. De repente, surge um vazio, um algo grande que você não sabe o nome, mas sabe que aquilo não estava ali, que era de outro jeito, você era de outro jeito. E quando menos esperar, você tende a explodir e a querer viver tudo o que deixou de viver, ou, com 50 anos vai se questionar “Que chatice, o que eu fiz da minha vida?”.

Ter alguns itens diferentes é normal e gostoso porque você conhece coisas novas, experimenta, se reinventa através das novas experiências. Mas quando você junta água e óleo… Bom, se você não sabe o que acontece, corra para a cozinha e faça a experiência. Pra mim, é exatamente o que acontece na vida real. Se você for indiferente e não se importar com esse distanciamento, ok! Seja muçulmano e case-se com uma defensora dos homossexuais e dos direitos da mulheres. Vai dar super certo… Só que não.

O pior disso tudo ao meu ver, é que sem perceber, na maioria das vezes, vocês estarão indo para lados opostos. Estarão sozinhos em seus anseios, atos e planos. E esse tipo de relacionamento já não combina comigo. Se for pra estar sozinha em tudo, fico sozinha então. Decidi que agora quero encontrar partilha, vivência de novas experiências de mãos-dadas, e se for algo bizarro, tipo saltar de paraquedas, eu entenderei se a pessoa só quiser me acompanhar e vibrar em terra firme e farei o mesmo por ela caso ela queria comer buchada de bode! Rs…

Enfim, antes eu achava que só amor e paixão bastavam, mas depois de 11 anos de carreira e um semi-divórcio cheguei à conclusão de que para manter um relacionamento feliz e duradouro é preciso muito mais do que essa parte conto-de-fadas da história, e esse “mais” conto nos próximos causos!

O que vocês pensam sobre isso? Compartilhem comigo aqui nos comentários do post!

Perdeu o 1º relato da série “Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito!”? Não se desespere! Confira clicando no link abaixo! ;)

1 – Vá aproveitar a vida!

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais.  LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

Pé-na-bunda, dado ou tomado, ensina muito! 1- Vá aproveitar a vida!

Começo aqui uma sequência de 10 posts sobre coisas que aprendi com os “pés-na-bunda” que dei e tomei. E nesse em especial, gostaria que pais e religiosos se desarmassem ao ler e se lembrassem da época em que tinham 15 anos. ;)

São 11 anos de carreira oficialmente, meu 1º namorado conheceu meus pais quando eu tinha 14 anos. Era aquele namorinho de adolescência, ele era lindo, disputado, e sei lá porquê cismou comigo. O problema é que com 14 anos eu não sabia o que era namorar, aliás, sabia a versão que diziam pra mim que tinha que ser. Resultado, depois de um “Eu te amo” com flores vermelhas, me assustei e fugi. Nunca mais vi o garoto.

Fui criada em igreja evangélica, e há 10, 15 anos atrás meus amigos, não tinha isso de “Bola de Neve“, não. Ser adolescente, pra mim, era um saco. Nada podia, tudo era errado, lembro até que eu participava de um grupo de dança na igreja e “fui afastada” pois comecei a namorar o dito-cujo acima. Chorei rios, eles não tinham a menor noção de como ensinar, dialogar e entender que é natural os hormônios aflorarem nessa época. Se bem que há teorias que dizem que começamos a ter contato efetivamente com nossa sexualidade a partir dos 7 anos, mas isso é tema para outro post. Enfim, de igreja em igreja, conheci meu 2º namorado, e esse relacionamento durou quase 4 anos, logo, passei minha adolescência toda namorando o mesmo anjinho, e é aí que vem meu recado: Aproveitem a vida!

Eu perdi muito tempo namorando em uma fase em que era pra eu estar fazendo coisas tão mais úteis… Ao invés de estudar ou estar em um parque com os amigos, eu estava no sofá da sala da sogra. Sogra??? Gente, por mais maravilhosas que tenham sido todas as minhas sogras, pra mim soa tão bizarro ter sogra aos 15 anos! Mas era assim, e na igreja a situação piorava porque o medo da galera “se perder” era tanto, que logo perguntavam sobre o casamento! Olha, não sei como sobrevivi. Eu estou citando a igreja porque foi a minha realidade, mas outras instituições cheias de regras mal elaboradas ou mesmo uma simples mas abitolada família, podem fazer esse papel devastador.

Há mais coisas para fazer na adolescência além de sustentar namoros chatos e sérios demais, só namore se for pra ser legal! :)

Eu devia ter pensado em intercâmbios, lido mais, saído com amigos diferentes, de culturas diferentes, ter pesquisado mais sobre carreira, “aloprado” mais com meus amigos, dormido mais, sei lá. Mas eu estava sempre discutindo a relação, atrás de dinheiro pra sair com o namoradinho, planejando um monte de coisas como casamento e filhos. Nessa idade ainda não trabalhamos, nem dinheiro pra ir ao cinema sem depender dos pais temos e já queremos falar de casamento? Pena que só percebi isso agora.

Em resumo, eu teria namorado de uma forma mais leve, afinal também há o lado bom. ;) O namoro é pra ser bacana, pra se descobrir, rir, compartilhar. Jamais deixe que um namorado ou namorada lhe diga “não’s”, lhe proíba de fazer as coisas, defina com quem você vai conversar ou andar, lhe tire sonhos, te julgue quando você mudar de ideia, ainda mais na adolescência que é a época de fazer isso. Se eu pudesse, teria perdido menos tempo nos sofás.

Eu fui abitolada, eu fui uma namorada chata e tive namorados chatos. Mas agora, depois de tantas solas de sapato no meu traseiro e de algumas que deixei em traseiros por aí, acho que cheguei no melhor de mim. Estou na fase em que não sei de nada, que esqueci tudo o que disseram que era o certo, onde a única regra será eu poder ser eu mesma sempre e estar com alguém que goste disso. Agora é hora de namorar do jeito que me faz feliz!

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais.  LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

O milagre da gota depois de 63 dias sem chuva em Sampa!

Choveu. Foram 63 dias sem uma gota d’água em São Paulo, a última caiu dia 18 de Julho. Dois meses sem água é muita coisa e a gente ressecou.

Eu me lembro de um dos últimos dias de chuva antes dessa estiagem, foi aquela chuva que lava a alma, sabe? Era 12 de Julho. A sensação era tão boa que eu estava torcendo pra chover mesmo, e um querido escritor conseguiu descrever bem esse sentimento: Que chova!

“O dia amanheceu chuvoso, nublado como quem forçosamente procura esconder um sorriso com as mãos. Na verdade exulta de alegria, mas prefere guardar para si as delícias de nascer todos os dias.

Teme pelo bem dos homens, que jamais suportariam o calor pulsante de um peito ainda descompassado, tamanha a perfeição que encontrou na dança perpétua entre os corpos celestes sob o véu que a noite lançou, horas atrás, sobre os olhares curiosos dos caçadores de estrelas. Que chova mais vezes, de forma doce como esta manhã.” 

por Felipe Carriço

Meu registro dessa chuva tão esperada!

Pois bem. Se passaram 7 dias, depois 15, 30, 45, quando a gente viu, Sampa estava mais insuportável do que de costume. Tudo seco. E é engraçado como a gente seca também. Além da parte fisiológica, o ânimo da gente mudou, ainda mais quando em pleno Inverno vieram dias de 36º. Uma moleza, uma aspereza que só não tinha cara de paulistana porque era amarela do sol, e não cinza como via de regra. Só que aí, veio a esperança! Previsão de chuva depois de um tempão! A gente estava torcendo mais do que pela Seleção em 94 (é, 94 porque de uns tempos pra cá, está patético)! Nas redes sociais vi todos os tipos de lamentações e mensagens esperançosas sobre a danada da água, e, depois de 63 dias, choveu!

Eu quis me molhar! Não foi “aquela” chuva, mas foi chuva! E a coisa mais engraçada foi observar as pessoas! Ninguém de guarda-chuva! (não sei se porque esqueceram num canto obscuro de casa ou porque queriam sentir as gotinhas mesmo) E ninguém de cara feia porque estava se molhando! A gente esperou tanto por esse dia, que senti que nós, paulistanos e a chuva, estávamos nos abraçando! Um reencontro. Eu desacelerei, procurei partes sem cobertura pra me molhar mais um pouquinho! Ouvia pessoas rindo e falando “Nossa, tá chovendo mesmo”. É nessas horas que entendemos o quanto a natureza sabe o que faz!

E enquanto eu me divertia com os pingos que começaram a engrossar por alguns poucos minutos, no meu iPod tocou sem querer “Please, don’t stop the rain” (Por favor, não pare a chuva), pensem na coincidência! Claro que acabei misturando “os pingo da chuva” (a la Novos Baianos) com umas gotinhas salgadas que vinham dos meus olhos mas que só tinham um motivo: a beleza daquele momento de chuva que todos comemoravam de jeitinhos silenciosos…

“Por favor não pare a chuva

Deixe ela cair, deixe ela cair, deixe ela cair

Não a pare, você não pode pará-la

Deixe ela cair

Por favor não pare a chuva”

E  foi assim a chuva no sertão paulistano. E pra “fazer chover agora”, você pode entrar nesse link http://raining.fm/ e ouvir o barulinho dessa águinha abençoada!

Que venham as próximas!

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais.  LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”