2ª Gentileza para auxiliar na adaptação profissional de um estrangeiro: Absorva o idioma local.

Dias atrás, falei sobre o que acredito ser uma 1ª gentileza dos profissionais estrangeiros para auxiliar e acelerar o próprio processo de adaptacão, INFORMAR-SE. Hoje, ainda dentro da sequência de gentilezas que podem facilitar sua vida profissional em uma nova sociedade, há uma especialmente desafiante, o idioma. Parece óbvio mas na prática, há profissionais que acreditam que o mundo deve se adaptar a eles, ledo engano. Essa relação é uma via de mão-dupla e exige compreensão e dedicação de ambos os lados. Quando vim para Moçambique fiquei mais tranquila por saber que aqui se fala Português, o problema é que o Português brasileiro é quase um segundo idioma e aqui, o Português é mais parecido com o de Portugal, somado a itens de dialetos africanos. Não entendia boa parte do que falavam, as pessoas também não me entendiam, e isso me deixava muito mal. Foi aí que me dediquei a ouvir e aprender.

Faço questão de facilitar a comunicação e assumo o sotaque e as expressões locais quando julgo necessário. Sinto que isso me aproxima do povo moçambicano e eles valorizam este esforço. Isso não é regra, não há a obrigação de se aprofundar na linguística de um novo idioma, mas se a ideia é agilizar e auxiliar no processo de integração, este é um atalho.

DIFICULDADE: O idioma. Se você é fluente no novo idioma, ótimo, se não, as coisas podem complicar. Perder partes importantes de reuniões de trabalho, escrever mal um relatório ou e-mail, entre outros, podem lhe colocar em situações embaraçosas.

GENTILEZA: Estude e quando não souber, pergunte ou pesquise em um outro momento. Se esforce para aprender as expressões, a sonoridade das palavras, e até mesmo as gírias do local, afinal você vai interagir com pessoas diferentes o tempo todo. Evite criticar a todo momento o uso gramatical que o novo idioma pode ter. Rir do novo sotaque e fazer piadas em momentos inoportunos, assinam sua carta de imaturidade. Eu já presenciei situações assim, e acreditem, é extremamente desagradável.

E você, já teve alguma experiência neste sentido? O que acham?

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | FacebookBlog “A grama da vizinha”

Brasil e sua exportação mundial de porcarias, o jeito é valorizar a laranja mesmo.

Estava eu a caraminholar sobre o quanto a cultura do meu país, Brasil, é consumida por Moçambique. Uns acham bacana, outros acham que Moçambique está para ser “colonizado” novamente, desta vez por Portugal e a terra Tupiniquim. Omissões e exageros à parte…

Na semana passada um discurso feito pela escritora moçambicana, Paulina Chiziane, no seminário “A Literatura Africana Contemporânea”, que integra a programação da 1ª Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília, capital brasileira, fez sucesso nas redes sociais. Nele, Paulina desabafa sobre o quanto as novelas e igrejas brasileiras tem invadido a rotina da sociedade moçambicana e o quanto isso pode sufocar a cultura local. Clique aqui para ler a notícia na íntegra.

Em paralelo, andando pelas ruas de Maputo, capital de Moçambique onde moro, me deparei com este outdoor:

Sim uma das “mulheres frutas” do Brasil virá fazer um show em Maputo, se é que esse tipo de coisa pode ser chamado de show. PS: Se você vai ao show, por favor, não fique triste, eu sei que existe gosto pra tudo! E pra quem não sabe como é a coitada da fruta chamada jaca, clique aqui.

Primeiro veio a Mulher Melancia, agora é a vez da Jaca. Coitadas das nossas frutas…

Olha, é difícil falar sobre isso sem ofender ambos os lados, mas que a cultura brasileira anda ganhando seu pedaço aqui, anda. É Igreja Universal, entre outras denominações, são novelas em canais abertos e pagos, comida, música, capoeira, etc. Acredito que muito se deve por falarmos a mesma língua e termos uma história tão parecida, pois nós brasileiros também fomos colonizados pelos “Tugas” e nascemos da mistura com os genes negros trazidos de África, inclusive de Moçambique. Mas independente disso, minha real opinião, é que há sociedades com perfil ativo e passivo. Os passivos consomem mais itens internacionais e os inserem em seu dia-a-dia, por vezes até esquecendo ou desvalorizando seus próprios costumes. Os ativos vão ganhando dinheiro e exportando o que lhes convir às custas da passividade dos outros.

No quesito “porcaria”, ao meu ver, a culpa não é do Brasil. O Brasil só exporta porque tem gente que consome, e paga, paga muito bem por isso. Eu ficaria muito feliz se visse menos porcaria brasileira fazendo sucesso por aí, mas parece que realmente é disso que o povo gosta. E eu ficaria mais feliz ainda se algumas sociedades dissessem NÃO para estes “produtos importados”. Como diria, o ator e vlogueiro brasileiro, Felipe Neto, “A gente deveria valorizar a laranja brasileira. Porque isso sim é uma coisa boa que o Brasil exporta pro mundo. O resto tá fogo”.

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

1ª Gentileza para auxiliar na adaptação profissional de um estrangeiro: Informe-se!

Num post anterior, compartilhei como vocês 3 pontos que podem auxiliar no processo de adaptação de um profissional estrangeiro, mas como em qualquer situação, todos tem seus direitos e deveres. Dessa vez, quero explorar algumas partes relacionadas aos “deveres”.

No Brasil, tive a oportunidade de trabalhar, mesmo que não diretamente, com estrangeiros e sempre achei incrível. Vê-los, ouvir o sotaque, imaginar a cultura, me fazia acreditar que eu teria muito o que aprender com eles. Agora a gringa sou eu, passei para o outro lado e a visão tem ficado cada vez mais ampla. Para ilustrar isso, neste e nos posts seguintes, vou listar algumas dificuldades que vivi/vivo e gentilezas que aceleraram/aceleram meu processo de adaptação:

DIFICULDADE: Ir para uma outra nação somente a trabalho, pode causar saudade excessiva e comparações arrogantes. Gostar da sua pátria-mãe é aceitável e até visto com bons olhos, mas idolatrá-la ao ponto de menosprezar as demais é um erro grave ao meu ver. A situação piora quando o profissional insiste que o país que o acolheu é que deve se adaptar a ele, e muitas vezes se tornar igual ao seu país de origem.

GENTILEZA: Normalmente, você será sempre um hóspede para os donos da casa, então facilite o caminho e se prepare como se fosse fazer uma viagem de férias. Pesquise sobre o local, sua história, cultura, costumes, etc, pois conhecer os anfitriões ajudará muito no processo de compreensão desta nova sociedade. Permita-se experimentar um novo estilo de vida, jeito de trabalhar, sabores, horários, clima, amigos, músicas, enfim, se dê a oportunidade de ser um profissional flexível.

Por último, antes de partir para qualquer viagem, faça um enorme favor a você mesmo, e assista esta pequena palestra do Professor e Filósofo, Mário Cortella. “Você sabe com quem está falando?”

E você o que acha, se adaptaria facilmente a todas essas mudanças?

 

Sâmela Silvaé uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | FacebookBlog “A grama da vizinha”

Um novo idioma: 3 fatores que dificultam o aprendizado dos brasileiros

CPLP – Países de Língua Portuguesa

Herdamos o Português dos nossos colonizadores, e hoje, de acordo com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), 8 países possuem esta língua como oficial, mas… será que conhecer apenas a língua portuguesa é suficiente? Ao meu ver, sim e não. Sim se você não desejar um cargo melhor, trabalhar em uma multinacional, viajar o mundo, utilizar alguns softwares, etc. E não, se você tiver o lado bom da ambição, aquele desejo de ir cada vez mais longe. Ser bilíngue já é quase uma obrigação, e acredito que no Brasil ainda é um diferencial porque, na grande proporção populacional, demoramos a aprender e a nos interessar por este aprendizado.

Quando eu soube que viria para Moçambique, fiquei mais tranquila pois achei que seria mais fácil conseguir um bom emprego, já que o idioma não seria um obstáculo. Ledo engano. Realmente a língua oficial de Moçambique é o Português, mas a grande maioria das vagas exige fluência na língua inglesa. Vira-e-mexe, ouço pessoas, de diferentes classes sociais, falando Inglês nas ruas. Sinto que os moçambicanos tem facilidade para aprender outros idiomas. Talvez pela convivência com os países vizinhos que tem o Inglês como idioma oficial, ou pela quantidade de gringos que vem para cá, pela necessidade de estudar fora já que nem sempre aqui encontram oportunidades de aperfeiçoar suas carreiras, ou então o forte consumo de cultura internacional. Na real, acredito que seja um pouco de tudo isso. E foi convivendo com esta diferença que minhas caraminholas começaram a me questionar: Por que então nós brasileiros temos tanta dificuldade em aprender a língua inglesa, por exemplo? Tenho chegado à algumas conclusões:

1) Brasil – um país continental

Fonte: Wikipédia

São 8.514.876,599 km2 para um único país, somos o maior da América Latina e o 5º maior do mundo no quesito “território”. Disso nós já sabíamos, o que eu não havia parado para pensar é o quanto isso pode influenciar no nosso aprendizado. Estamos muuuuuuito longe dos nossos países vizinhos. Não temos tanto contato com as nossas fronteiras, já é difícil e caro conhecer outros estados brasileiros, imagine ficar indo-e-vindo de um país para o outro? É inviável. E é aí que perdemos uma interação importantíssima, que prepararia nossos ouvidos e dicção. Fora que estamos rodeados por países que em sua maioria falam o Espanhol, e assim vamos ficando cada vez mais distantes do Inglês.

2) Ensino de línguas “daquele jeito”

Eu estudo inglês desde os 5 anos de idade, no jardim de infância. No Ensino fundamental, estudei em uma escola conceituada, e no Ensino Médio, passei em um Colégio Público de Ensino Técnico, finalizando com o Bacharelado em Jornalismo. Em todas estas fases tive aulas de Inglês, todas. E me perguntem se sou fluente? O Brasil fornece um ensino safado de Inglês, raras instituições conseguem realmente nos fazer quebrar a linha do verbo “to be”. E as que conseguem, normalmente para ingressarmos, é necessário vender um rim para pagar metade do curso. Estudar Inglês duas vezes na semana, exausta da rotina de trabalho, sem ter contato com mais nada no restante dos dias, pra mim não funcionou. No mínimo, deveríamos ser fluentes no nosso vizinho Espanhol, até pela maior similaridade da língua, mas não há investimento real nisso. Crescemos sem este suporte. Sorte daqueles estudiosos, disciplinados, autodidatas, que conseguem aprender sozinhos ou com uma facilidade invejável, ou dos que tem condições financeiras de estudar em escolas bilíngues ou fazer intercâmbios, mas infelizmente eles são minoria dentro do universo de 190.732.694 brasileiros.

3) Baixo estímulo dos meios

Bom, acima já citei 2 fatores que desestimulam qualquer um, mas além deles passei a perceber o quanto os meios de comunicação não nos ajudam.  Filmes dublados são os campeões, a gente não consegue sequer absorver o idioma inconscientemente porque insistimos em assistir tudo dublado. Graças à Santa do Inglês de Nós Todos, isso tem mudado aos poucos, e muitos brasileiros já optam por assistir apenas a versão legendada, onde ouvimos o idioma original e nas letrinhas embaixo vem o lindinho do Português pra nos ajudar. Ok, isso já é um começo! :) Outra coisa são os programas de TV e os Telejornais. Eu não sei se é vergonha, desleixo ou desprezo mesmo, mas como é difícil usarem palavras estrangeiras de forma correta. Se 2 ou 3 jornalistas participam de uma reportagem e tiverem que falar uma palavra em Inglês, reparem no sotaque. Cada um pronuncia de um jeito, e tem gente que pronuncia muuuuito errado. Fica difícil absorver e ir se familiarizando com outras línguas dessa maneira. Não há um cuidado, não levamos a sério.

Já haviam parado para pensar nisso? O que mais vocês acham que dificulta o nosso cérebro a absorver definitivamente uma nova língua? Pra “ajudar”, tudo isso sempre parece ser uma grande besteira até perdemos uma boa vaga de emprego, até viajarmos e não conseguirmos entender um espetáculo, uma explicação em museus, ou até mesmo os itens básicos como pedir uma porção de arroz extra, até conhecermos pessoas de outras nacionalidades e não conseguirmos conversar, até deixarmos de consumir, participar ou aprender algo por não ter ao menos as noções básicas da língua.

Por isso meus amigos brasileiros, se eu tenho alguma coisa pra aconselhar nesta vida é: tentem ao máximo superar estas dificuldades linguísticas que nos cercam e aprendam de vez outros idiomas, e se tiverem a chance, dêem aos seus filhos a oportunidade real de serem alfabetizados também em outro idioma. Eles serão eternamente gratos. Por aqui, estou eu a rezar à Santa do Inglês de Nós Todos, a viajar, a estudar, e a melhorar o meu inglês a cada dia e a torcer para em breve rolar um intercâmbio. Amém.

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

Trabalhar no exterior é fácil? 3 pontos que podem fazer a diferença neste processo.

Mudar de lado me fez perceber o quanto é desafiador trabalhar fora da sua pátria. Por ter trabalhado em grandes empresas no Brasil, já tive a oportunidade de conhecer profissionais estrangeiros mas nunca parei para pensar em quais eram os desafios e vantagens de estar nesta posição. Também não pensei “Olha os gringos roubando o emprego dos nativos”. Aprendi que seja gringo ou não, se está em um cargo melhor do que o meu é porque em algum momento este profissional teve algo a mais ou a menos que eu, mesmo que ele tenha somente sabido se “vender” melhor em uma entrevista, e cabe a mim aprender cada vez mais para alcançar o nível desejado. Esse intriga, estrangeiros x nativos, se é que posso definir assim, ao meu ver é prejudicial e só faz ambas as partes perderem a oportunidade de uma troca cultural e profissional incrível!

Além disso, nem todas as empresas entendem a responsabilidade que é trazer um estrangeiro. Enquanto algumas são uma mãe, outras… A matemática é simples, se você precisou de algo diferente, vai ter que investir de forma diferente.

1) O choque cultural

A mudança cultural e social pode afetar este profissional momentâneamente, que precisará do apoio da empresa para se adaptar de forma rápida e consistente. Pensando na pirâmide de Maslow, é necessário garantir as necessidades primárias para que a mente deste colaborador esteja livre para se dedicar 100% ao trabalho. Segurança, moradia, saúde, alimentação, transporte, tudo tem que estar garantido no pacote, caso contrário, você afetará pontos demasiadamente delicados e que impactam diretamente na qualidade e produtividade do indivíduo.

Pirâmide de Maslow

2) Uma andorinha só, não faz verão

De nada adianta trazer experts se você não oferecer a infraestrutura adequada e se a equipe que trabalhará ou dará suporte a ele, não estiver treinada e preparada para este novo conhecimento. Não faz sentido colocar a cereja no bolo se a massa não estiver pronta. Você não vai ter o retorno esperado e vai ganhar um profissional exausto e desmotivado por tentar, tentar, e não conseguir. Ainda há gestores com dificuldade de perceber que investir em pessoas, é investir na própria empresa e isso só atrasa o processo crescimento e amadurecimento da mesma. Investir nos profissionais nativos é tão, ou até mais, importante quanto trazer “cabeças diferentes”.

3) O combinado não sai caro

O contrato de trabalho será o elo que protegerá a relação trabalhista, mas qualquer acordo feito deve ser cumprido da mesma forma. Em outras palavras, é prometer somente o que se pode cumprir. O profissional precisa confiar sua vida à instituição, e isso requer muito comprometimento, respeito e empatia de ambas as partes. *empatia: capacidade de se colocar no lugar do outro.

Há muitos outros pontos, mas que compartilharei aos poucos com vocês, inclusive o que o estrangeiro pode fazer para ser “um hóspede” desejado, afinal todos tem seus direitos e deveres.

Para finalizar, nunca imaginei o quanto os itens imensuráveis podem afetar o dia-a-dia deste profissional. Lembro-me de ter trabalhado no Brasil com um sul-africano e vê-lo em estado de euforia na Copa do Mundo de 2010, ao ver seu país sediar a copa e ele não poder estar lá. Há vantagens em trabalhar fora, mas o expatriado perde coisas que não tem preço e que muitos nunca entenderão, por isso, valorizar o que ele valoriza criará um clima de gratidão que só somará ao cenário. Com o suporte necessário, ele sempre sentirá que seu esforço vale a pena e isso refletirá diretamente em seus entregáveis. Com uma boa relação, profissionais e empresa conseguem evoluir e a equipe como um todo terá muito conhecimento para partilhar e sugar.

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | Facebook | Blog “A grama da vizinha”

Será que a mania de compartilhar sem checar as fontes está nos deixando mais ignorantes?

“Estamos ficando mais burros”. Você já deve ter ouvido essa frase em análises de comunicadores influentes ou bate-papos sobre o comportamento da sociedade frente à tantas mudanças tecnológicas e maior acesso à informação, e num primeiro momento isso pode assustar. Mas você pode estar pensando: “Como assim estamos ficando mais burros? Temos evoluído constantemente. É impossível que estejamos aprendendo menos!”. Será?

Bom, fato é que realmente o ser humano tem chegado em lugares jamais pensados mas, ao mesmo tempo, acompanhar todas estas mudanças tem feito uma massa se perder em meio a tanto conteúdo. As redes sociais então… É tanta gente postando tanta coisa que fica difícil não se manter informado. O problema é que estamos deixando de lado um item importante: a qualidade desta informação.

A ação “compartilhar” está ficando tão automática que não nos damos mais ao trabalho de pesquisar se assuntos extremamente delicados e influentes são reais. Nos últimos meses fui bombardeada com 3 exemplos:

1) “Casal de São Paulo batiza o filho como “Facebookson” e causa polêmica no mundo” (link)

Não, nenhum casal batizou o filho com este nome. Esta foi uma notícia CRIADA por um site de humor brasileiro chamado “Sensacionalista“. O que aconteceu? Milhares de pessoas compartilharam (e continuam compartilhando) este link, uns fazendo piada, já outros, dizendo barbaridades sobre consciência moral e social sem ao menos procurar saber a origem da notícia.

2) Cristãos queimados vivos por muçulmanos sunitas da Nigéria (imagem forte)

Também, não. Que pessoas sofreram e sofrem devido suas crenças e opções nós sabemos, e infelizmente isso não é novidade. Vide o que a igreja católica fez na história e o que a nossa sociedade faz hoje com os gays, por exemplo. Mas essa imagem não se trata de uma atrocidade devido ao preconceito, trata-se de uma fatalidade com um caminhão-tanque que explodiu no Congo onde muitas pessoas morreram carbonizadas. Se vocês pesquisarem encontrarão diversos sites publicando erratas ou discussões sobre este assunto como estes dois: Jornal Boa Nova e E-farsas. O problema é que algum inconsequente escreveu este textinho abaixo, e só no link da foto que disponibilizei à vocês, mais de 5.000 “ingênuos”, compartilharam com mensagens errôneas.

“Cade a Globo?
Cristãos queimados vivos
por muçulmanos sunitas da Nigéria.
Notícias como esta, que deveriam estampar a primeira página dos jornais, são solenemente IGNORADAS pelos grandes da mídia!
Somos um pais Laico, temos a liberdade de falar desta palavra(Deus) e ainda achamos que estamos confortáveis de mais….
Vamos divulgar!!! Um verdadeiro absurdo!
Triste demais, mas a pura realidade! Divulguem…
Ainda: JESUS está a voltar!!!”

Pode isso? Neste caso, acho ainda pior porque quando se trata de religião as pessoas tem a tendência de se revoltar e seguir mais cegamente. Entrei em contato com o possível “dono da foto”, e com toda educação e respeito contei a ele sobre o erro. Nem sequer tive uma resposta e a foto continua sendo compartilhada. Entre firmar o compromisso com a verdade e ter mais de 5.000 pessoas vendo seu perfil, parece que ele optou pelo status da 2ª opção.

3) Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) colocará fieis devedores no SPC e SERASA (link)

*SPC e SERASA são órgãos brasileiros de proteção ao crédito.

Não tem nada a ver com religião, e eu sinceramente não duvido que isso um dia pode acontecer, mas até onde pude checar, isso é apenas uma notícia CRIADA por outro site de humor brasileiro, o G17. Descobri o erro quando um jornalista moçambicano de um jornal respeitado aqui em Moçambique, publicou-a em seu Twitter pessoal, alertando o povo moçambicano sobre o que a IURD tem feito no Brasil. Existem IURD’s aqui, imagine o quanto isso pode ter repercutido/influenciado já que foi divulgado por um indivíduo formador de opinião? Entrei em contato com ele para explicar e ele comprendeu, mas não excluiu. Aí, eu é que fiquei sem entender. :(

Por essas e outras, meus amigos, talvez realmente estejamos mais inteligentes para algumas coisas mas mais ignorantes para outras também. Estamos passando por um novo processo e aprendendo a lidar com toda essa novidade, e o que vale é a reflexão para situações futuras.

O que vocês pensam sobre esse turbilhão de conteúdo que nos bate à porta a cada segundo? Contem pra mim! ;)

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Cuidado, as redes sociais estão “denunciando” o que você procura na web

A internet anda cada vez mais sorrateira e como sabemos tudo está interligado. Um dos itens mais danadinhos que tenho visto é a interação automática entre sites e as redes sociais. Permitir que sites acessem seus dados através de redes sociais como o Facebook, faz com que itens que você visita sejam publicados em sua Timeline (linha do tempo, mural, etc) sem que você perceba, e aí acontece o inesperado: quem passa a imagem mais pura do mundo, revela a busca de conteúdo que até Dercy Gonçalves teria vergonha.

Qual o problema disso? Se você não ligar para o que os outros pensam e não acreditar que hoje empresas vasculham seu perfil nas redes sociais no momento da contratação, nenhum. Mas se você é daqueles que vive postando mensagens de conscientização, religião, etc, deixar visível algo como a imagem abaixo pode revelar um caráter um tanto, digamos, incoerente.

“Fulano leu um artigo: Veja famosos que tiveram suas intimidades divulgadas na web”.

Para evitar estas surpresinhas desagradáveis, evite autorizar aplicativos que solicitam o acesso aos seus dados. Muitos deles são plugins que pedirão esta permissão somente na 1ª vez em que você acessar o tal site, depois, “entendem” que já que você autorizou uma vez, autorizará sempre e publicam o conteúdo que você leu. Nesta parte do Facebook por exemplo, você pode visualizar todos os plugins que você deu acesso algum dia e excluir os indesejados.

Clique em “Aplicativos”, como mostra o quadro vermelho, e delete os indesejados.

Vez ou outra, também visite suas timelines e delete o que for comprometedor.

A internet deve ser uma aliada e não uma casca de banana prontinha pra você pisar e tomar um escorregão! ;)

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Por que compartilhamos e gostamos da família “Para nooooossa alegria”?

Estou me fazendo essa pergunta! Já faz algum tempo que coisas bizarras, esquisitas e despretenciosas viram hit na internet. Espera aí, você não sabe quem é o trio “Para nossa alegria”? Então, antes de qualquer coisa, assista:

Bom, vou esperar você se recuperar das gargalhadas! Rsrs…

Pronto!

Família “Para nossa alegria” no programa “Mais você” da apresentadora, Ana Maria Braga.

Este vídeo do trio brasileiro, Jefferson, Suellen e a mãe, Marinalva, foi compartilhado por mais de 40 milhões de internautas em 2 semanas, e a expressão “Para nossa alegria” virou jargão por todo canto. Até quem não tem internet entrou na onda porque, claro, eles foram convidados e mostrados até a exaustão em todos os meios de comunicação possíveis no Brasil. (ainda estão sendo) Ao cantar a música gospel “Galhos Secos”, que você pode conferir na íntegra aqui, a família perdeu as estribeiras quando Jefferson subiu o tom de voz mais do que o aceitável nesta galáxia. :)

Pensando no comportamento humano, parei para refletir sobre o verdadeiro motivo do sucesso repentino destes péssimos cantores mas carismáticos seres, e cheguei a seguinte conclusão:

ESPONTANEIDADE

Enquanto nos matamos para tentar fazer algo que preste e ser reconhecido por isso (no meu caso para vocês lerem, gostarem e compartilharem meus posts, rsrsr…), eles foram despretenciosos e pumba! Acertaram em cheio. Principalmente, porque acredito que diariamente somos bombardeados por tanto conteúdo complexo que quando nos deparamos com algo tão espontâneo e simples, faz toda a diferença.

Além disso, eles representam uma boa parte das famílias brasileiras, desprovidos de muito luxo e etiqueta o que faz a gente rir mais ainda. Só não sei se por achar “coitados” ou por achá-los engraçados mesmo. É, a comunicação tem dessas coisas, mexe com o nosso inconsciente o tempo todo e a gente jura que não. E pô, a gente enquanto povo, tem tanto motivo pra chorar que uma gargalhada como a da Suéllen faz melhorar a sensação de impotência perante a tantos problemas!

Um outro comportamento nosso também mudou de uns anos pra cá, queremos compartilhar! Não queremos mais guardar nada só pra gente, temos que mostrar! Isso auxiliou e muito nos 15 minutos de fama do trio e de todos os outros que tem aparecido por aí, ou já se esqueceram da Luíza que estava no Canadá? :P Pra quem é ligado nas redes sociais como eu, sabe que o dedinho coça pra “curtir” e “compartilhar” inúmeras coisas que julgamos bacanas na web. Mas isso já é assunto para outro post! ;)

Aqui em Moçambique, esse efeito “meme” ainda está engatinhando, já que um minúsculo percentual da população tem acesso a internet, e há pouquíssimo conteúdo moçambicano feito especialmente para este público. Neste 1 ano que estou aqui, acho que o único exemplo de viral que me lembro, foi a versão em Xangana (dialeto típico de Moçambique) da música brasileira “Ai se eu te pego”. Mas daí você já pode perceber que há pouco conteúdo mesmo… Eu sou da galera que gostaria que o Brasil estivesse exportando coisa melhor, mas aí vai o vídeo pra vocês rirem mais um pouquinho:

E você, por que riu/compartilhou o vídeo dessa família peralta?  O que acha desse onda de memes na internet?

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Tecnologia x Atendimento ao Cliente em Moçambique, estamos prontos para isso?

Ah Moçambique… o velho e o novo em seus encontros e desencontros. Não que isso seja ruim, acredito que é parte do processo de mudança e evolução e respeitar o tempo e a história de cada um é fundamental, mas exige um bocado de paciência e tolerância a mais.

Feliz da vida, hoje fui pela 1ª vez a uma agência bancária inaugurada há poucos meses e realmente me surpreendi: tudo novo, bonito, sistema de senhas e uma infra-estrutura que nos deixa aguardando confortavelmente em cadeirinhas. Parabéns, o povo moçambicano merece essa inovação! Por um momento foi até engraçado, pois muitos clientes se assustavam com o sistema de senhas, quando a máquina “cuspia” o papelzinho, vi vários sorrisos achando aquilo diferente e incrível. Mas ao experimentar toda essa inovação, percebi que o novo continua velho.

Acabei me esquecendo do velho ditado “não julgue pela aparência” e me senti o máximo no banco, mas com o tempo constatei que a essência não havia mudado. Os processos continuam complicados e demorados e os funcionários com um péssimo hábito de atender mal os clientes.

Impressionantemente, em pelo século XXI, muitas empresas, de qualquer lugar do mundo, ainda não entenderam a importância de um serzinho chamado, cliente. Lembram-se de pensar na marca, cores, design, etc e esquecem de se perguntar o mais simples e eficaz: O que posso fazer para facilitar a vida do meu cliente e ser lembrado por ele como um agente de solução? Com um processo velho, a agência bancária passou de linda para um grande presente grego.

Tem coisa pior do que ser atendido por alguém que não te olha nos olhos, fala áspero, demonstra impaciência como se você, cliente, estivesse atrapalhando o dia dele? Infelizmente, sinto isso frequentemente. Quando sou bem atendida é tão inusitado que faço questão de fazer elogios. Falta um grande investimento no treinamento destes profissionais, e tenho certeza que isso faria muita diferença na vida do povo moçambicano que tanto depende destes serviços.

Estou pensando seriamente em aderir à prática do antropólogo, Professor Marins. Vejam no vídeo abaixo como ele faz e as dicas pra viver com entusiasmo que você deve exercitar e divulgar para seus companheiros de labuta! Sério, você, seja de onde for e independente da profissão, PRECISA ouvir este homem!

Ah! As cadeirinhas novas serviram muito, já que tive que esperar por 1h30 até ser atendida por completo.

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Mudando tudo o tempo todo, cá estou!

ATENÇÃO! Tudo indica que a internet me pegou de jeito. Estou apresentando os seguintes sintomas:

1) Quanto mais informação, melhor!

2) Sem interatividade não tem graça.

3) Agora eu tenho voz, as empresas e seus serviços e produtos “mais ou menos” que se cuidem!

Preciso de um diagnóstico! Você já sentiu isso? Me ajude!

Uma coisa era responder um e-mail ali, conversar no MSN com alguém mesmo que sem muito assunto, uma fotinho no Orkut acolá. Outra é descobrir uma nova forma de usar a internet! E pra mim, a melhor palavra que define este novo uso é:  Otimizar!

Aliás, o que é MSN e Orkut mesmo? Ainda bem que o Wikipédia responde! :P

Ao vir para Moçambique, a internet se tornou mais útil do que de costume, afinal esta é a forma mais rápida e barata de  falar um “olá” para família e amigos. Passei a tê-la como aliada e não mais só como entretenimento ou fonte de busca simples. Com uma nova rotina, consegui ter mais tempo para procurar e fazer coisas que realmente me interessavam e cá estou!

É usando este espaço, que espero aprender e compartilhar itens interessantes com vocês como propus aqui no meu perfil. Pra começar, quero compartilhar um vídeo que fala desta mudança avassaladora em nossas vidas! “5 anos mudaram tudo”, mostra como o avanço da internet, redes socias, devices, etc, tem afetado nossa rotina e criado uma nova forma de comunicação e convívio com o que nos rodeia.

Enjoy and think!

Sâmela Silva, é uma brasileira, que de viagem em viagem, foi morar em Moçambique, África, onde o despertar pela escrita falou mais alto. Jornalista e Consultora em Gestão Empresarial, vem descobrindo o mundo e se descobrindo por meio de ideias rabiscadas nos bloquinhos virtuais. LinkedIn | Twitter | FacebookBlog “A grama da vizinha”